quarta-feira, 26 de setembro de 2012

SÍNTESE DAS TRÊS FASES DO MODERNISMO


MODERNISMO BRASILEIRO - TRÊS GERAÇÕES



                                     Abaporu, Tarsila do Amaral


PRIMEIRA FASE MODERNISTA (1922-1930)
É A FASE DA IMPLANTAÇÃO

INÍCIO: Semana da Arte Moderna
FIM: Revolução de trinta e tomada de poder por Getúlio Vargas.

FATOS HISTÓRICOS
·         Fim das oligarquias rurais e da política café com leite
·         Revolução de 1930 (Getúlio no poder)

REVISTAS: Klaxon e Antropofagia

MANIFESTOS: Poesia Pau-Brasil, Verde Amarelista e Regionalista de 1926.

CARACTERÍSTICAS GERAIS

·         Forma e conteúdo: liberdade formal (crítica do país)

·         Poemas-piada: sátira de costumes passadista e de velhas escolas literárias

·         Paródia e literatura popular: sátira de obras sérias do passado.

·         Verso livre e linguagem coloquial: literatura próxima da fala popular

·         Rompimento com o passado: procura do moderno, do original, do polêmico

·         Nacionalismo: crítico (denúncia da realidade) e ufanista (Verde-Amarelista)

AUTORES:

·         MÁRIO DE ANDRADE: linguagem coloquial / folclore / Macunaíma (anti-herói)

·         OSWALD DE ANDRADE: nacionalismo crítico / paródia / linguagem coloquial / valorização do cotidiano / poema-pílula / capítulos curtos.

·         MANUEL BANDEIRA: Libertinagem (liberdade de conteúdo e de forma) / temas autobiográficos (infância, família, morte, cotidiano, humor, ceticismo, ironia, idealização de um mundo melhor).

·         OUTROS AUTORES: Antônio de Alcântara Machado, Menotti de Picchia, Guilherme de Almeida, Cassiano Ricardo e Plínio Salgado.

SEGUNDA FASE MODERNISTA (1930-1945) 
É A FASE DA ESTABILIZAÇÃO

FATOS HISTÓRICOS

·         Brasil: Ditadura do Getúlio Vargas
·         Fora do Brasil: depressão econômica / nazismo / Segunda Guerra Mundial

A) POESIA – CARACTERÍSTICAS:

·         PREOCUPAÇÃO SOCIAL: necessidade de compreender o mundo transformado pela guerra.
·         LINGUAGEM: versos livres e brancos, mas o poeta pode ser formal.
·         POESIA INTIMISTA: questão espiritual ou reflexão amorosa.

AUTORES:
·         MURILO MENDES: sátira / poemas- piada / poesia religiosa / “Tempo e Eternidade” (parceria com Jorge de Lima) / consciência do caos / ordena o caos: lógica, criatividade, libertação do trabalho poético.

·         JORGE DE LIMA: parnasiano / poesia social / poesia religiosa / desigualdade social.

·         CARLOS DUMMONDE DE ANDRADE: representação do cotidiano / nega toda forma de fuga à realidade / cético / presente (solução: união e trabalho coletivo)

·         CECÍLIA MEIRELES: inspiração neo-simbolista (Revista “Festa”) / intimismo / sonho / solidão / tempo (transitoriedade) / linguagem simbólica / sinestesia / musicalidade.

·         VINÍCIUS DE MORAES: neo-simbolista / renovação caótica da década de 30 / tom religioso / sensualismo erótico (prazer da carne X formação religiosa) / valorização do presente / felicidade X infelicidade / inspiração poética: tristeza.

·         OUTROS AUTORES: Cassiano Ricardo e Augusto Frederico Schmidt

B) ROMANCE – CARACTERÍSTICAS:
·         REALISMO CRÍTICO: critica-se para denunciar uma questão social e, assim, chegar a uma solução
·         SITUAÇÃO DOS PROLETARIADOS RURAIS: presença do homem do sertão.
·         LINGUAGEM PRÓXIMA DA FALA: reprodução da fala regional.

QUADRO GERAL DO AUTORES REGIONALISTAS DOS ANOS 30

AUTORES
OBRA PRINCIPAL
REGIÃO/ASSUNTO
José Américo de Almeida
A bagaceira
Sertão nordestino / seca
Rachel de Queiroz
O Quinze
Sertão nordestino / seca
Graciliano Ramos
Vidas secas
Sertão nordestino / seca
José Lins do Rego
Fogo morto
Sertão nordestino / engenho e cangaço
Jorge amado
Gabriela, cravo e canela
Sertão e litoral baiano / cacau, religião e amor
Érico Veríssimo
O tempo e o vento
Pampa gaúcho e cidade / colonização, história e dramas urbanos
Cornélio Pena
Fronteira
Zona Rural Mineira /introspecção
Dionélio Machado
Os ratos
Cidade gaúcha / dramas urbanos
Octávio de Faria
Tragédia burguesa
Rio de Janeiro / análise social
Cyro dos Anjos
O amanuense Belmiro
Zona urbana mineira / análise social
Marques Rabelo
A estrela sobe
Rio de Janeiro / análise social.

TERCEIRA FASE MODERNISTA (1945-1960) 
É A FASE PÓS-MODERNISTA

A) POESIA - CARACTERÍSTICAS GERAIS

·          RIGOR DA FORMA: neoparnasianismo (perfeição verbal)

·         OBJETIVOS POÉTICOS DIFERENTES: estética formalista, poesia participante, tensões sociais.

·         POEMA-PIADA: vulgaridade, exagero.

·         PARTICIPAÇÃO SOCIAL

PRINCIPAIS AUTORES:

1-JOÃO CABRAL DE MELO NETO: “poeta de simetrias” / objetividade / tendência surrealista / temática: a) Nordeste e seu povo; b) Espanha e suas paisagens.

2- FERREIRA GULLAR: poesia participante (problemas sociais)


B) CONCRETISMO (VANGUARDA POÉTICA)

·         AUTORES INFLUENCIADORES: Oswald de Andrade (poemas radicais) e João Cabral de Melo Neto (linguagem econômica e objetiva)


CARACTERÍSTICAS:
 -ROMPIMENTO COM O DISCURSO TRADICIONAL

       -DESINTEGRAÇÃO COM O VERSO: verbal (aspecto sintático e semântico) / oral (aspecto sonoro) / visual (aspecto gráfico)

Ex.: beca coca cola
        babe cola
        beba coca
   babe cola
   caco
   cola
   CLOACA
(Décio Pignatari)

PRINCIPAIS AUTORES:
·         DÉCIO PIGNATARI
·         IRMÃOS:  AROLDO DE CAMPOS E AUGUSTO DE CAMPOS


C) FICÇÃO – CARACTERÍSTICAS:

·         NARRATIVAS INTERIORIZADAS: fluxo da consciência.

·         UTILIZAÇÃO DA PRIMEIRA PESSOA: narrador é a pessoa que confessa e o leitor é confidente.

·         APROXIMAÇÃO DA PROSA COM A POESIA: lirismo na prosa (ritmo, rima, aliterações, neologismo, etc.)


PRINCIPAIS AUTORES:

·     CLARICE LISPECTOR: “Perto do coração selvagem” (1943) / interiorização do ser humano / revalorização das palavras (entrelinhas)

·         GUIMARÃES ROSA: Sagarana (1946) e Grande sertão veredas (1956) / revalorização da linguagem (neologismo) / universalização do regional / particularidades da fala sertaneja.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

FOLCLORE


FOLCLORE
O que é Folclore
- A palavra folclore é de origem inglesa.
-A termo "folk", em inglês, significa povo e "lore" significa cultura.
- Muitas festas populares, que ocorrem no mês de Agosto, possuem temas folclóricos como destaque e também fazem parte da cultura popular.
Podemos definir o folclore como um conjunto de mitos e lendas que as pessoas passam de geração para geração. Muitos nascem da pura imaginação das pessoas, principalmente dos moradores das regiões do interior do Brasil. Muitas destas histórias foram criadas para passar mensagens importantes ou apenas para assustar as pessoas. O folclore pode ser dividido em lendas e mitos. Muitos deles deram origem à festas populares, que ocorrem pelos quatro cantos do país.
As lendas são estórias contadas por pessoas e transmitidas oralmente através dos tempos. Misturam fatos reais e históricos com acontecimentos que são frutos da fantasia. As lendas procuraram dar explicação a acontecimentos misteriosos ou sobrenaturais.
Os mitos são narrativas que possuem um forte componente simbólico. Como os povos da antiguidade não conseguiam explicar os fenômenos da natureza, através de explicações científicas, criavam mitos com este objetivo: dar sentido as coisas do mundo. Os mitos também serviam como uma forma de passar conhecimentos e alertar as pessoas sobre perigos ou defeitos e qualidades do ser humano. Deuses, heróis e personagens sobrenaturais se misturam com fatos da realidade para dar sentido a vida e ao mundo.
Criação da data
O Congresso Nacional Brasileiro oficializou em 1965 que todo dia 22 de agosto seria destinado à  comemoração do folclore brasileiro. Foi criado assim o Dia do Folclore Nacional. Foi uma forma de valorizar as histórias e personagens do folclore brasileiro. Desta forma, a cultura popular ganhou mais importância no mundo cultural brasileiro e mais uma forma de ser preservada. O dia 22 de agosto é importante também, pois possibilita a passagem da cultura folclórica nacional de geração para geração.
Comemoração
O Dia 22 de agosto é marcado por várias comemorações em todo território nacional. Nas escolas e centrou culturais são realizadas atividades diversas cujo objetivo principal é passar a diante a riqueza cultural de nosso folclore. Os jovens fazem pesquisas, trabalhos e apresentações, destacando os contos folclóricos e seus principais personagens. É o momento de contarmos e ouvirmos as histórias do Saci-Pererê, Mula-sem-cabeça, Curupira, Boto, Boitatá, etc.
Nesta data, também são valorizadas e praticadas as danças, brincadeiras e festas folclóricas.
Algumas lendas, mitos e contos folclóricos do Brasil:
Boitatá
Representada por uma cobra de fogo que protege as matas e os animais e tem a capacidade de perseguir e matar aqueles que desrespeitam a natureza. Acredita-se que este mito é de origem 
indígena e que seja um dos primeiros do folclore brasileiro. Foram encontrados relatos do boitatá em cartas do padre jesuíta José de Anchieta, em 1560. Na região nordeste, o boitatá é conhecido como "fogo que corre".
Boto
Acredita-se que a lenda do boto tenha surgido na região amazônica. Ele é representado por um homem jovem, bonito e charmoso que encanta mulheres em bailes e festas. Após a conquista, leva as jovens para a beira de um rio e as engravida. Antes de a madrugada chegar, ele mergulha nas águas do rio para transformar-se em um boto.
Curupira
Assim como o boitatá, o curupira também é um protetor das matas e dos animais silvestres. Representado por um anão de cabelos compridos e com os pés virados para trás. Persegue e mata todos que desrespeitam a natureza. Quando alguém desaparece nas matas, muitos habitantes do interior acreditam que é obra do curupira.
Lobisomem
Este mito aparece em várias regiões do mundo. Diz o mito que um homem foi atacado por um lobo numa noite de lua cheia e não morreu, porém desenvolveu a capacidade de transforma-se em lobo nas noites de lua cheia. Nestas noites, o lobisomem ataca todos aqueles que encontra pela frente. Somente um tiro de bala de prata em seu coração seria capaz de matá-lo.
Mãe-D’água
Encontra-se na mitologia universal um personagem muito parecido com a mãe-d'água: a sereia. Este personagem tem o corpo metade de mulher e metade de peixe. Com seu canto atraente, consegue encantar os homens e levá-los para o fundo das águas.
Corpo-seco
É uma espécie de assombração que fica assustando as pessoas nas estradas. Em vida, era um homem que foi muito malvado e só pensava em fazer coisas ruins, chegando a prejudicar e maltratar a própria mãe. Após sua morte, foi rejeitado pela terra e teve que viver como uma alma penada.
Pisadeira
É uma velha de chinelos que aparece nas madrugadas para pisar na barriga das pessoas, provocando a falta de ar. Dizem que costuma aparecer quando as pessoas vão dormir de estômago muito cheio.
Mula-sem-cabeça
Surgido na região interior, conta que uma mulher teve um romance com um padre. Como castigo, em todas as noites de quinta para sexta-feira é transformada num animal quadrúpede que galopa e salta sem parar, enquanto solta fogo pelas narinas.
Mãe-de-ouro
Representada por uma bola de fogo que indica os locais onde se encontra jazidas de ouro. Também aparece em alguns mitos como sendo uma mulher luminosa que voa pelos ares. Em alguns locais do Brasil, toma a forma de uma mulher bonita que habita cavernas e após atrair homens casados, os faz largar suas famílias.
Saci-Pererê
O Saci-Pererê é representado por um menino negro que tem apenas uma perna. Sempre com seu cachimbo e com um gorro vermelho que lhe dá poderes mágicos. Vive aprontando travessuras e se diverte muito com isso. Adora espantar cavalos, queimar comida e acordar pessoas com gargalhadas.
Curiosidades:
- É comemorado com eventos e festas, no dia 22 de Agosto, aqui no Brasil, o Dia do Folclore.
- Em 2005, foi criado do Dia do Saci, que deve ser comemorado em 31 de outubro. Festas folclóricas ocorrem nesta data em homenagem a este personagem. A data, recém criada, concorre com a forte influência norte-americana em nossa cultura, representanda pela festa do Halloween - Dia das Bruxas.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Fernando Pessoa e seus Heteronômios - Síntese


FERNANDO PESSOA E SEUS HETERONÔMIOS

FELICIDADE  
Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!


O Amor
          Fernando Pessoa

O amor, quando se revela, 
Não se sabe revelar. 
Sabe bem olhar p'ra ela, 
Mas não lhe sabe falar. 

Quem quer dizer o que sente 
Não sabe o que há de *dizer. 
Fala: parece que mente 
Cala: parece esquecer 

Ah, mas se ela adivinhasse, 
Se pudesse ouvir o olhar, 
E se um olhar lhe bastasse 
Pr'a saber que a estão a amar! 

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente 
Fica sem alma nem fala, 
Fica só, inteiramente! 

Mas se isto puder contar-lhe 
O que não lhe ouso contar, 
Já não terei que falar-lhe 
Porque lhe estou a falar.

Álvaro de Campos nasceu em 1890 em Tavira e é engenheiro de profissão. Estudou engenharia na Escócia, formou-se em Glasgow, em engenharia naval. Visitou o Oriente e durante essa visita, a bordo, no Canal do Suez, escreve o poema Opiário, dedicado a Mário de Sá-Carneiro. Desiludido dessa visita, ele regressa a Portugal onde o espera o encontro com o mestre Caeiro, e o início de um intenso percurso pelos trilhos do sensacionismo e do futurismo ou do interseccionismo. Espera-o ainda um cansaço e um sonambulismo poético como ele prevê no poema Opiário. Abaixo um trecho: 



NUNCA, POR MAIS
                     Álvaro de Campos
Nunca, por mais que viaje, por mais que conheça
O sair de um lugar, o chegar a um lugar, conhecido ou desconhecido,
Perco, ao partir, ao chegar, e na linha móbil que os une,
A sensação de arrepio, o medo do novo, a náusea —
Aquela náusea que é o sentimento que sabe que o corpo tem a alma,
Trinta dias de viagem, três dias de viagem, três horas de viagem —
Sempre a opressão se infiltra no fundo do meu coração.


O GUARDADOR DE REBANHOS
                                      Alberto Caeiros
lª Parte: Eu nunca guardei rebanhos (trecho)

Eu nunca guardei rebanhos, 
Mas é como se os guardasse. 
Minha alma é como um pastor, 
Conhece o vento e o sol 
E anda pela mão das Estações 
A seguir e a olhar. 
Toda a paz da Natureza sem gente 
Vem sentar-se a meu lado. 
Mas eu fico triste como um pôr de sol 
Para a nossa imaginação, 
Quando esfria no fundo da planície 
E se sente a noite entrada 
Como uma borboleta pela janela.

Alberto Caeiro nasceu em 1889, em Lisboa, e morreu em 1915, mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão, nem educação quase nenhuma: apenas a instrução primária. era de estatura média, frágil, mas não o aparentava. Era louro, de olhos azuis. Ficou órfão de pai e mãe muito cedo e deixou-se ficar em casa a viver dos rendimentos. Vivia com uma tia velha, tia-avó. Escrevia mal o Português. É o pretenso mestre de A. de Campos e de R. Reis.  É anti-metafísico; é menos culto e complicado do que R. Reis, mas mais alegre e franco.


INGLÓRIA
          Ricardo Reis
Inglória é a vida, e inglório o conhecê-la.
Quantos, se pensam, não se reconhecem
Os que se conheceram!
A cada hora se muda não só a hora
Mas o que se crê nela, e a vida passa
Entre viver e ser.
GOZO SONHADO
         Ricardo Reis
Gozo sonhado é gozo, ainda que em sonho.
Nós o que nos supomos nos fazemos,
Se com atenta mente Resistirmos em crer
Não, pois, meu modo de pensar nas coisas,
Nos seres e no fado me consumo.
Para mim ê-lo. crio tanto
Quanto para mim crio.
Fora de mim, alheio ao em que penso,
O Fado cumpre-se.
Porém eu me cumpro
Segundo o âmbito breve
Do que de meu me é dado. 





Médico de profissão, monárquico, fato que o levou a viver emigrado alguns anos no Brasil, educado num colégio de jesuítas, recebeu, pois, uma formação clássica e latinista e foi imbuído de princípios conservadores, elementos que são transportados para a sua concepção poética. Domina a forma dos poetas latinos e proclama a disciplina na construção poética. Ricardo Reis é marcado por uma profunda simplicidade da concepção da vida, por uma intensa serenidade na aceitação da relatividade de todas as coisas. É o heterônimo que mais se aproxima do criador, quer no aspecto físico - é moreno, de estatura média, anda meio curvado, é magro e tem aparência de judeu português (Fernando Pessoa tinha ascendência israelita)- quer na maneira de ser e no pensamento. É adepto do sensacionalismo, que herda do mestre Caeiro, mas ao aproximá-lo do neoclassicismo manifesta-o, pois, num plano distinto como refere Fernando Pessoa.



segunda-feira, 14 de maio de 2012

VÍRGULA


Estando a oração em ordem direta (seus termos se sucedem na seguinte progressão: sujeito → verbo → complementos do verbo (objetos) → adjunto adverbial), isto é, sem inversões ou intercalações, o uso da vírgula é, de modo geral, desnecessário. Assim:

1. Não se usa vírgula:
Não se usa vírgula separando termos que, do ponto de vista sintático, ligam-se diretamente entre si:
a) entre sujeito e predicado.
Todos os alunos da sala    foram advertidos.
             Sujeito                            predicado
b) entre o verbo e seus objetos.
O trabalho custou            sacrifício             aos realizadores.
                   V.T.D.I.              O.D.                             O.I.
Entre nome e complemento nominal; entre nome e adjunto adnominal.

2. Usa-se a vírgula:
Para marcar intercalação:
a) do adjunto adverbial: O café, em razão da sua abundância, vem caindo de preço.

b) da conjunção: Os cerrados são secos e áridos. Estão produzindo, todavia, altas quantidades de alimentos.

c) das expressões explicativas ou corretivas: As indústrias não querem abrir mão de suas vantagens, isto é, não querem abrir mão dos lucros altos.

Para marcar inversão:
a) do adjunto adverbial (colocado no início da oração): Depois das sete horas, todo o comércio está de portas fechadas.

b) dos objetos pleonásticos antepostos ao verbo: Aos pesquisadores, não lhes destinaram verba alguma.

c) do nome de lugar anteposto às datas: Recife, 15 de maio de 1982.

Usa-se vírgula para separar entre si elementos coordenados (dispostos em enumeração):
Era um garoto de 15 anos, alto, magro.
A ventania levou árvores, e telhados, e pontes, e animais.

Usa-se a vírgula para marcar elipse (omissão) do verbo:

Nós queremos comer pizza; e vocês, churrasco.

Usa-se a vírgula para isolar:

- o aposto:
São Paulo, considerada a metrópole brasileira, possui um trânsito caótico.

- o vocativo:
Ora, Thiago, não diga bobagem.