Foto: Comissão Organizadora da Semana da Arte Moderna
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Durante os dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922,
em São Paulo uma dezena de jovens artistas
excêntricos e inquietos realizaram um dos
mais vigorosos movimentos dentro das artes
no Brasil. Esse movimento foi marcado
por suas conferências, concertos, exposição
de artes plásticas, tendo como palco para
toda essa batalha, o Teatro Municipal,
que viu durante essa semana cair toda sua
pompa e seriedade, diante das continuadas vaias de um público muitas vezes
tão excêntrico quanto os próprios artistas que lá gritavam pela renovação.
Os futuristas - como eram chamados, tomados por forte coragem gritavam
pelo direito de uma pesquisa estética, e pelo desejo de ver nossa cultura
numa posição mais privilegiada, podendo manifestar livremente toda a
consciência criadora nacional. As idéias desses jovens apareceram bastante
divididas diante de um público nem sempre bem informado acerca das
inovações que aconteciam lá fora. De um modo geral foi muito restrito
o público que tomou conhecimento do fato que estava acontecendo
durante aquela semana, mas os que lá estiveram participaram ativamente
da manifestação, nem que fosse simplesmente pelo prazer de vaiar.
Embora tenha eclodido em 1922 - semana de arte moderna
começou bem antes dessa data, pois os primeiros passos no
sentido de se criar algo que representasse especialmente
o espírito dos artista brasileiro, tiveram início no ano de
1912, com a chegada de Oswaldo de Andrade, da França,
onde em Paris entusiasmara-se desvairadamente com o
manifesto futurista de Martinetti. Aqui chegando,
fortalecido pelas experiências européias.
Oswaldo de Andrade, pensou imediatamente em quebrar
o nosso marasmo com o exemplo dos franceses, e por isso
mesmo escreveu em versos livres um dos mais ousados
poemas da época: O último passeio de um tuberculoso
pela cidade, de bonde obra que infelizmente poucos
conheceram, uma vez que até os originais foram perdidos
ou jogados fora. De qualquer forma direta ou indiretamente
colaborar para uma séria ruptura entre a imitação e criação.
Dois anos, depois, em 1914, Anita Malfati, pintora paulista,
chega também à sua terra trazendo dentro de si toda a
estrutura e a força vibrante da pintura alemã, o que
também não deixou de causar algumas controvérsias
em torno daquilo que se pretendia buscar. Segundo
depoimento da própria artista, suas telas foram
consideradas horríveis, dantescas e sem expressão
para o público que as viu em exposição. Mas o pior
ainda não havia acontecido.
Estava reservado para o ano de 1917, quando expõe
53 trabalhos, considerados por ela como sua melhor
produção, e duas semanas após a abertura aparece
pelo Estado de São Paulo, uma crítica violenta
assinada por Monteiro Lobato, sob o título de
Paranóia ou Mistificação o suficiente para
derrubar todo o entusiasmo da jovem artista,
que acabou voltando para um academicismo disfarçado.
Apesar de todas as críticas e agressões, em São Paulo
e no Rio, continuavam aparecer manifestações esparças
que na realidade traduziam toda explosão de uma nova
geração perdida entre o passado odioso e um futuro
incerto. Vários outros nomes apareceram, sobretudo
em São Paulo, onde ganharam destaque Paulo Prado,
Victo Brecheret, Villa-Lobos, Guiomar Novaes,
Di Cavalcanti, Menote Del Picchia e de um modo
todo especial o líder intelectual do movimento
- Mário de Andrade, sem dúvida alguma um dos
mais fortes estimulantes de nossa vida intelectual
que durante muito tempo dividiu mérito com
Graça Aranha, que abriu a semana com a conferência
A emoção estética na arte moderna, e que por vários
anos foi aclamado pelos artistas paulistas e cariocas
como verdadeiro líder sobretudo depois de ter rompido
publicamente com a Academia Brasileira de Letras.
Embora tenha gozado de tão grande prestígio durante
o movimento de 22, e assumindo a clara posição de líder
ao lado de Mário de Andrade, o estudioso do Modernismo,
Mário da Silva Brito, vem mais tarde esclarecer a verdadeira
posição de cada um, e entregando ao autor de Paulicéia Desvairada
- título definitivo de Papa do Modernismo, sem contudo
desmerecer a importante posição do autor de Canaã
Mário de Andrade e Oswald de Andrade
http://www.colegiodinamico.com.br/literatura.html
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quinta-feira, 4 de setembro de 2014
RESUMO GERAL DE LITERATURA
sábado, 9 de agosto de 2014
FIGURAS DE LINGUAGEM
Figuras de Linguagem
Figuras de linguagem são recursos de expressão, utilizados por um escritor, com o objetivo de ampliar o significado de um texto literário ou também para suprir a falta de termos adequados em uma frase. É um recurso que dá uma grande expressividade ao texto literário.
As mais comuns são: metáfora, comparação, metonímia, antítese, paradoxo, personificação (ou prosopopeia), hipérbole, eufemismo, ironia, elipse, zeugma, pleonasmo, polissíndeto, assíndeto, onomatopeia, anáfora, sinestesia, gradação e aliteração.
Metáfora
A metáfora é um tipo de comparação, mas sem os termos comparativos (tal como, como, são como, tanto quanto, etc). Na metáfora, a comparação entre dois elementos está implícita, trazendo uma relação de semelhança entre eles. Exemplo:
Tempo é dinheiro.
Percebemos neste exemplo a relação implícita, onde o tempo é tão valoroso quanto o dinheiro, por isso ele é colocado como semelhante à moeda.
Comparação
A comparação consiste na aproximação entre dois objetos por meio de uma característica semelhante entre eles, dando a um as características do outro. Difere da metáfora porque possui, obrigatoriamente, termos comparativos. Em suma, é uma comparação explícita. Exemplo:
Tempo é como dinheiro.
Neste exemplo vemos o principal definidor de uma comparação: a palavra como traz explicitamente a ideia de que o tempo é valoroso como o dinheiro.
Metonímia
É a substituição de uma palavra por outra sendo que, entre ambas, há uma proximidade de sentidos, uma relação de implicação. Exemplos:
- Não leu Machado de Assis.
- Não leu a obra de Machado de Assis.
Vemos no exemplo que a obra de Machado de Assis foi substituída só pelo nome do autor. A metonímia consiste nessa substituição de palavras, dando o mesmo sentido a uma frase. A seguir, outro exemplo que reforça essa substituição:
- A cozinha italiana é maravilhosa!
- A comida italiana é ótima.
Antítese
A antítese consiste no uso de palavras, expressões ou ideias que se opõem. Exemplo:
Soneto da Separação
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto
Vinícius de Moraes
Neste soneto vemos claramente a antítese por trás da temática da separação amorosa: o que antes era riso trouxe lágrimas com a separação; as bocas unidas pelo beijo no amor se separam como a espuma que se espalha e se dissolve. A oposição de sentimentos e atos forma claramente a antítese.
Paradoxo
Paradoxo é a presença de elementos que se anulam numa frase, trazendo à tona uma situação que foge da lógica. Exemplo:
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
Luís de Camões
A situação do paradoxo aqui é clara: os elementos marcados se anulam, trazendo uma série de questionamentos. Como pode uma ferida, algo que causa dor física, não ser sentida? Como o contentamento, que causa felicidade, pode ser descontente? Como a dor pode não doer? Vemos claramente a fuga da lógica.
Personificação (ou prosopopeia)
A personificação, também chamada prosopopeia, consiste na atribuição de características humanas, como sentimentos, linguagem humana e ações do homem, a coisas não-humanas. Exemplo:
Congresso Internacional do MedoProvisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro.Carlos Drummond de Andrade
Neste exemplo, o medo, uma sensação, é transformado em pai e companheiro, algo que só é atribuído a um ser humano.
Hipérbole
Esta figura de linguagem consiste no emprego de palavras que expressam uma ideia de exagero de forma intencional. Exemplo:
Ela chorou rios de lágrimas.
Chorar rios remete a um choro contínuo, exagerado e o termo rios vem para enfatizar a ideia de que foi um choro intenso.
Eufemismo
O eufemismo ocorre quando utilizamos palavras ou expressões que atenuam e substituem outras que produzem um efeito desagradável e chocante. Exemplos:
- Faltei com a verdade ao dizer que fui à igreja.
- Menti ao dizer que fui à igreja.
A expressão e o impacto negativo que a palavra menti traz é ""suavizado" ao dizer que "faltei com a verdade".
Ironia
É a expressão de ideias com significado oposto ao que se realmente pensa ou acredita. Exemplo:
Moça linda, bem tratada,
Três séculos de família,
Burra como uma porta:
Um amor!
Três séculos de família,
Burra como uma porta:
Um amor!
Mário de Andrade
O trecho é o exemplo claro de ironia: a moça é descrita como, bonita e bem tratada, tradicional, conservadora (é de família) e burra. O destaque em "um amor", apoiando-se na descrição da moça, mostra que ela, ao contrário de ser esse "amor de pessoa", é, na verdade, alguém sem atrativos, sem graça.
Elipse
Temos elipse quando, em um texto, alguns elementos são omitidos sem ocasionar a perda de sentido, uma vez que as palavras omitidas ficam subentendidas através do contexto. Exemplos:
- Ela está passando mal! Depressa, um médico!
- Ela está passando mal! Depressa, chamem um médico!
Na primeira frase temos a elipse ao vermos que a palavra chamem está escondida. Não é necessário colocá-la e não há perda de sentido, porque mesmo sem ela entendemos que é necessário chamar um médico depressa porque ela está passando mal.
Zeugma
É parecido com a elipse, no entanto, só podemos identificar desta forma esta figura de linguagem quando há omissão de algo que já foi expresso no texto. Sabemos que o termo foi omitido porque já foi apresentado. Exemplo:
Canção do Exílio
Nosso céu tem mais estrelas
Nossas várzeas tem mais flores
Nossos bosques tem mais vida
Nossa vida mais amores
Nossas várzeas tem mais flores
Nossos bosques tem mais vida
Nossa vida mais amores
Gonçalves Dias
Neste trecho vemos a omissão da palavra tem no último trecho. Não foi necessário o emprego dessa palavra para entender que a vida tem mais amores, pois já houve repetição da palavra nos outros versos.
Pleonasmo
Repetição de uma ideia por meio de outras palavras. É utilizado como forma de ênfase e, além de ser figura de linguagem, é classificada como vício. A diferença entre a figura de linguagem e o vício de linguagem é simples: para ser figura de linguagem, o pleonasmo vem de forma intencional, para dar mais expressividade no texto, enquanto no vício vem como uma repetição não intencional e desnecessária. Exemplo:
Quando hoje acordei, ainda fazia escuro
(Embora a manhã já estivesse avançada).
Chovia.
Chovia uma triste chuva de resignação
Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite.Manuel Bandeira
A repetição proposital de Manuel Bandeira ao dizer que "chovia uma chuva" intensifica a ideia de que estava chovendo.
Polissíndeto
Consiste na repetição de conjunções para garantir um texto mais expressivo. Exemplo:
O olhar para trásE o olhar estaria ansioso esperando
E a cabeça ao sabor da mágoa balançada
E o coração fugindo e o coração voltando
E os minutos passando e os minutos passando...Vinícius de Moraes
A conjunção e vem para caracterizar o polissíndeto, trazendo ações e sensações que ocorrem de forma contínua e rápida.
Assíndeto
O assíndeto ocorre quando há omissão das conjunções. Exemplo:
Morte no avião
Acordo para a morte.
Barbeio-me, visto-me, calço-me.
Barbeio-me, visto-me, calço-me.
Carlos Drummond de Andrade
A conjunção geralmente é substituída por vírgula, como no exemplo.
Onomatopeia
Temos onomatopeia quando há o uso de palavras que reproduzem os sons de seres vivos e objetos. É mais comum em história em quadrinhos.
Anáfora
Consiste na repetição de palavras ou expressões com o objetivo de enfatizar uma ideia. Exemplo:
Elegia DesesperadaTende piedade, Senhor, de todas as mulheres
Que ninguém mais merece tanto amor e amizade
Que ninguém mais deseja tanto poesia e sinceridade
Que ninguém mais precisa tanto de alegria e serenidadeVinícius de Moraes
Sinestesia
A sinestesia traz textos que expressam as sensações humanas, com o cruzamento de palavras referentes aos cinco sentidos. Exemplo:
Recordação
Agora, o cheiro áspero das flores
leva-me os olhos por dentro de suas pétalas
leva-me os olhos por dentro de suas pétalas
Cecília Meireles
Aqui, vamos uma característica do olfato (cheiro) misturada com outra do tato (áspero).
Gradação
Nesta figura as ideias aparecem de forma crescente ou decrescente dentro de um texto. Exemplo:
Meia noite em ponto em XangaiA mulher foi-se encolhendo, agarrada aos braços da poltrona. Cravou o olhar esgazeado no retângulo negro do céu. Encolheu-se mais ainda, cruzando os braços. Limpou as mãospegajosas no brocado da bata. Susteve a respiração.Lygia Fagundes Telles
Aqui a gradação crescente vem trazendo uma ideia da sensação do medo que vai aumentando.
Aliteração
Consiste na repetição de consoantes em uma sequência de palavras, trazendo um texto com um efeito sonoro. Confira um exemplo no trecho da música Chove Chuva de Jorge Ben Jor:
Chove, chuva, chove sem parar
Neste caso, o ch repetido vem para dar a sonoridade da chuva, além de dar ritmo à música de Jorge Ben Jor.
http://rachacuca.com.br/educacao/portugues/figuras-de-linguagem/
domingo, 3 de agosto de 2014
PRINCIPAIS CONCEITOS DA VANGUARDA EUROPEIA
CONCEITOS:
1.
O MODERNISMO
A ideia de modernismo,
pragmaticamente falando, surge da ideia de criar novos mecanismos/objetos/
utensílios capazes de facilitar a vida da população média. População esta que
vem de um trauma recente, as longuíssimas jornadas de trabalho que precisavam
enfrentar para manter sua subsistência nos séculos XVIII e XIX.
Com esse anseio de ter
uma vida facilitada é que se inicia o avanço tecnológico. A população
projetora, com este avanço, ter um tempo maior de lazer, uma vida mais
tranqüila, forma-se uma meta, um objetivo de vida. Um sonho comum a grande
parte da população mundial, e o que traduz muito bem este anseio é a tentativa
de criação de robôs que substituíam os humanos em suas atividades cotidianas.
Esse é o chamado Projeto Moderno.
Já com relação às
diversas artes, o que vem quebrar/romper estilos artísticos vigentes
(anteriormente pensava-se “na sabedoria do passado que repousava a idade de
ouro da humanidade, com iluminismo”). Surgem-se escolas com propostas novas e
completamente inovadoras como é o caso do dadaísmo ou do surrealismo.
2.
O MODERNO
O moderno é um conceito
experimentado pela cultura ocidental. Segundo Hans Ulrich Gumbrecht, a
modernidade e a modernização correspondem a uma sobreposição desordenada de uma
série de conceitos diferentes.
Pode-se dividir a
transformação do conceito de moderno em cinco momentos. Em um primeiro momento,
o conceito de moderno está calcado nos juízos de valor do senso comum,
significando atual e bom. Esse primeiro conceito compactua de um sentido
técnico da própria etmologia da palava, que vem do latim ''modernus'',
significando limite da atualidade. Tal limite, segundo Hans Robert Jauss, é
exclusivo à atualidade histórica do presente.
No século XII, o conceito de
moderno entra em seu segundo momento, como sinônimo de aperfeiçoamento. O que é
novo se torna um realce do que é antigo, fazendo com que este consiga
sobreviver àquele.
O terceiro momento tem-se o Renascentismo
do século XV, representado pela restauração do antigo, a fim de exprimir o
caráter perfeito das coisas. É nesse momento que se aplica o pensamento de
Jauss acerca do limite da atualidade, de modo a esclarecer que o presente não
representa o novo sempre, como se isso lhe fora um direito natural. Um dia o
presente será o passado e assim a modernidade um dia se transformaria em
antiguidade.
No quarto momento, Charles
Perrault traz um fim ao ideal renascentista de perfeição. Durante esse momento,
coexistem dois partidos intelectuais, pertencentes principalmente iluminismo:
os modernos, que acreditam no progresso com base na ciência e na filosofia; e
os anciãos apreciadores do valor atemporal da antiguidade. É com os modernos
que o conceito de moderno surge pela primeira vez como designador de um
movimento, segundo o qual se acredita que cada época tem seus próprios costumes
e olhares para a realidade. Distinguem-se duas naturezas para o que seria o
belo: algo universal, que consiga transcender o tempo (beauté universelle) e
algo presente e mutável no transcorrer das épocas (beau relatif).
O quinto momento é consagrado
pelos chamados ''novos iluministas'', que creem no caráter futurista do
moderno, que agora é sinônimo de algo bom, novo e autossuficiente. Nesse
período, o moderno não se distancia do velho, mas sim do que é clássico.
3.
A MODERNIDADE
Para Baudelaire a dualidade da
arte é consequência da dualidade do homem, pois existem varias formas de se vê
o belo em varias obras de arte. Baudelaire comenta que para decifrar as
mudanças sem precedentes ocorridas no cenário urbano, acarretadas pela
revolução industrial é uma tarefa difícil e que só pode ser feita por um herói.
Ser herói da modernidade significa entender de que forma os personagens
apreende as informações, as novas situações da vida nas grandes cidades. A
modernidade esta na forma de como se entende a realidade das coisas, dos fatos
e da necessidade de se distanciar do passado como se o passado não fosse uma
semente do presente. A modernidade, portanto, pode ser entendida como uma
entidade, onde o contexto e o herói se fundem para dar sentido ao que chamamos
de modernidade.
Segundo Walter Benjamin, o
homme dês foules ou multidões humanas como alguém que busca algo e não que é
tomado por fascinações repentinas por um indivíduo. Já flâneur “o boêmio” não
procura algo específico, ele não está atrás de nada.
Baudelaire compara a forma de
apreensão do mundo de seu homme du monde (mudo do homem)com o estado de um
convalescente ou de uma criança dotada de razão para quem as menores sensações
são recebidas com grande surpresa e entusiasmo, ele aguça os sentidos de seu
observador munindo-se de uma curiosidade sensorial que gera como que uma
hiperestesia.
Baudelaire defende que o
espaço do herói moderno não está vago, uma vez que este herói não é ausente,
falso e nem padece de uma descrição vaga. É sim, um herói verdadeiramente
moderno, na medida em que é construído da mesma matéria e com a mesma estrutura
lógica da modernidade.
O aponta 5 elementos que
delineiam o conceito de modernidade.
1.
A valorização do
presente corresponde ao caráter transitório e fugido, à parcela de bela contida
na ideia do belo e sua consequência aproximação com a ideia do Zeitgeist.
2.
O pintor de
costumes como o herói da modernidade por oposição à condição de isolamento do
artista na modernidade. Isolado, o herói contribui para o caráter elitista dos
Movimentos Modernistas.
3.
A modernidade
enquanto natureza da relação entre o herói moderno e o seu contexto.
4.
A presença da
“humanidade” compreendida como imperfeição assegurando a acessibilidade da
experiência estática.
4. O FUTURISMO
Os
futuristas saúdam a era moderna, aderindo entusiasticamente à máquina. O poeta
italiano Marinetti disse: “o esplendor do mundo enriqueceu-se com uma nova
beleza: a velocidade.”. Ele estava se referindo ao automóvel. Principais
artistas: Giacomo Balla, Carlo Carra, Umberto Boccioni, etc.
5. IMPRESSIONISMO
Foi
um movimento artístico que revolucionou profundamente a pintura e deu início às
grandes tendências do século XX. O nome do
movimento é derivado da obra Impressão, Nascer do Sol (1872),
de Claude Monet.
Os autores impressionistas não mais se preocupavam com os preceitos do Realismo
ou da academia.
A busca pelos elementos fundamentais de cada arte levou os pintores
impressionistas a pesquisar a produção pictórica não mais interessados em
temáticas nobres ou no retrato fiel da realidade, mas em ver o quadro como obra
em si mesma. A luz e o
movimento
utilizando pinceladas soltas tornam-se o principal elemento da pintura, sendo
que geralmente as telas eram pintadas.
Principais
características deste movimento:
a)
A pintura deve mostrar as tonalidades que os objetos
adquirem ao refletir a luz do sol num determinado momento, pois as cores da
natureza mudam constantemente, dependendo da incidência da luz do sol;
b)
As figuras não devem ter contornos nítidos;
c)
As sombras devem ser luminosas e coloridas, tal como é a
impressão visual que nos causam. O preto jamais é usado em uma obra
impressionista plena;
d)
Os contrastes de luz e sombra devem ser obtidos de acordo
com a lei das cores complementares. Assim um amarelo próximo a um violeta
produz um efeito mais real do que um claro-escuro muito utilizado pelos
academicistas no passado. Essa orientação viria dar mais tarde origem ao pontilhismo
e
e)
As cores e tonalidades não devem ser misturadas e sim puras.
Entre os principais expoentes do Impressionismo estão Claude Monet,
Edgar Degas
e Renoir.
6. EXPRESSIONISMO
O
Expressionismo é a arte do instinto, trata-se de uma pintura dramática,
subjetiva, “expressando” sentimentos humanos. Utilizando cores irreais, dá
forma plástica ao amor, ao ciúme, ao medo, à solidão, à miséria humana, à
prostituição. Deforma-se a figura, para ressaltar o sentimento. Predominância
dos valores emocionais sobre os intelectuais. Corrente artística concentrada
especialmente na Alemanha entre 1905 e 1930. Principais características deste movimento:
a)
Pesquisa no
domínio psicológico;
b)
Cores
resplandecentes, vibrantes, fundidas ou separadas;
c)
Dinamismo
improvisado, abrupto, inesperado;
d)
Pasta grossa,
martelada, áspera;
e)
Técnica violenta:
o pincel ou espátula vai e vem, fazendo e refazendo, empastando ou provocando
explosões e
f)
Preferência pelo
patético, trágico e sombrio.
Principais
artistas são: Paul Gauguin, Paul Cézanne, Vicent Van Gogh Toulouse-Lautrec,
Munch e Paul Klee.
7. CUBISMO
Originou-se
na obra de Cézanne, pois para ele a pintura deveria tratar as formas da
natureza como se fossem cones, esferas e cilindros. Entretanto, os cubistas
foram mais longe do que Cézanne. Passaram a representar os objetos com todas as
suas partes num mesmo plano. Na verdade, essa atitude de decompor os objetos
não tinha nenhum compromisso de fidelidade com a aparência real das coisas. O
pintor cubista tenta representar os objetos em três dimensões, numa superfície
plana, sob formas geométricas, com o predomínio de linhas retas. Não
representa, mas sugere a estrutura dos corpos ou objetos. Representa-os como se
movimentassem em torno deles, vendo-os sob todos os ângulos visuais, por cima e
por baixo, percebendo todos os planos e volumes.
Principais
características deste movimento:
a)
Geometrização das formas e volumes;
b)
Renúncia à perspectiva;
c)
O claro-escuro perde sua função;
d)
Representação do volume colorido sobre superfícies planas;
e)
Sensação de pintura escultórica;
f)
Cores austeras, do branco ao negro passando pelo cinza, por um ocre apagado ou
um castanho suave.
8. DADAÍSMO
O movimento Dadá
(Dada) ou Dadaísmo foi
uma vanguarda
moderna fundada em Zurique,
em 1916,
por um grupo de escritores
e artistas plásticos.
É caracterizado pela oposição a qualquer tipo de
equilíbrio, pela combinação de pessimismo irônico e ingenuidade radical, pelo
ceticismo absoluto e improvisação. Enfatizou o ilógico e o absurdo. Entretanto,
apesar da aparente falta de sentido, o movimento protestava contra a loucura da
guerra. Assim, sua principal estratégia era mesmo denunciar e escandalizar.
9. SURREALISMO
Foi
por excelência a corrente artística moderna da representação do irracional e do
subconsciente. Suas origens devem ser buscadas no dadaísmo e na pintura
metafísica de Giorgio De Chirico. Principais artistas: Salvador Dali e Joan
Miro.
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