domingo, 11 de agosto de 2013

CANTIGAS DO TROVADORISMO

CANTIGAS DO TROVADORISMO

1. Cantigas de amor: o trovador confessa, de maneira dolorosa, a sua angústia, nascida do amor que não encontra receptividade. O "eu lírico" desses poemas se revela, às vezes, na forma de um apelo repetitivo, no qual não há erotismo, mas amor transcendente, idealizado. Como exemplo, vejamos esta cantiga de Pero Garcia Burgalês:


Ai eu coitad! E por que vi
a dona que por meu mal vi!
Ca Deus lo sabe, poila vi,
nunca já mais prazer ar vi;
ca de quantas donas eu vi,
tam bõa dona nunca vi. 

Tam comprida de todo bem,
per boa fé, esto sei bem,
se Nostro Senhor me dê bem
dela! Que eu quero gram bem,
per boa fé, nom por meu bem!
Ca pero que lh’eu quero bem,
non sabe ca lhe quero bem.

Ca lho nego pola veer,
pero nona posso veer! 
Mais Deus, que mi a fezo veer,
rogu’eu que mi a faça veer;
e se mi a non fazer veer.
Sei bem que non posso veer
prazer nunca sem a veer. 

Ca lhe quero melhor ca mim,
pero non o sabe per mim,
a que eu vi por mal de mi[m]. 

Nem outre já, mentr’ eu o sem
houver; mais s perder o sem,
dire[i]-o com mingua de sem; 

Ca vedes que ouço dizer
que mingua de sem faz dizer
a home o que non quer dizer!



2. Cantigas de amigo: o trovador apresenta o outro lado da relação amorosa, isto é, assume um novo "eu lírico": o da mulher que, humilde e ingênua, canta, por exemplo, o desgosto de amar e, depois, ser abandonada; ou o da mulher que se apaixonou e fala à natureza, à si mesma ou a outrem sobre sua tristeza, seu ideal amoroso ou, ainda, sobre os impedimentos de ver seu amado. No exemplo a seguir, do trovador Julião Bolseiro, o diálogo se estabelece entre a mulher apaixonada e sua filha, que impede a mãe de ver seu amado:

Mal me tragedes, ai filha,
porque quer ‘ aver amigo
e pois eu com vosso medo
non o ei, nen é comigo,
no ajade-la mia graça
e dê-vos Deus, ai mia filha,
filha que vos assi faça,
filha que vos assi faça. 

Sabedes ca sen amigo
nunca foi molher viçosa,
e, porque mi-o non leixades
ver, mia filha fremosa,
no ajade-la mia graça
e dê-vos Deus, ai mia filha,
filha que vos assi faça,
filha que vos assi faça.
Pois eu non ei meu amigo,
non ei ren do que desejo,
mais, pois que mi por vós v~eo
Mia filha, que o non vejo,
no ajade-la mia graça
e dê-vos Deus, ai mia filha,
filha que vos assi faça,
filha que vos assi faça.

Por vós perdi meu amigo,
por que gran coita padesco,
e, pois que mi-o vós tolhestes
e melhor ca vós paresco
no ajade-la mia graça
e dê-vos Deus, ai mia filha,
filha que vos assi faça,
filha que vos assi faça. 


As cantigas de escárnio: Nessa cantiga, o eu – lírico, faz uma crítica (sátira) indireta e com duplos sentidos a alguém. Para os trovadores fazerem uma cantiga de escárnio, ele precisa compor uma cantiga falando mal de alguém, ou seja, fazendo uma critica a alguma pessoa, através de palavras de duplo sentido, ou seja, através de ambiguidades, trocadilhos e jogos semânticos, através de um processo denominado pelos trovadores equívoco. Essa cantiga é capaz de estimular a imaginação do autor, sugerindo-lhe uma nova expressão irônica.
As cantigas de Maldizer: Esse tipo de cantiga, também traz criticas, ou seja sátiras diretas, porém não são acompanhadas de duplos sentidos. É normal que ocorra agressões verbais à pessoa que está sendo criticada, ou seja, satirizada, geralmente usa-se até mesmo palavrões para compor esse tipo de cantiga, onde se revela ou não o nome da pessoa que está sendo agredida verbalmente.


cantiga de escárnio:
Ai, dona fea, foste-vos queixar
que vos nunca louv[o] em meu cantar;
mais ora quero fazer um cantar
em que vos loarei toda via;
e vedes como vos quero loar:
dona fea, velha e sandia!…

Cantiga de Maldizer:
Roi queimado morreu con amor
Em seus cantares por Sancta Maria
por ua dona que gran bem queria
e por se meter por mais trovador
porque lhela non quis [o] benfazer
fez-sel en seus cantares morrer
mas ressurgiu depois ao tercer dia!…



quinta-feira, 9 de maio de 2013

Saiba quando usar Ç, S, SS, Z e X



Grupo 01

a) Usa-se ç em palavras derivadas de vocábulos terminados em TO:
intento = intenção
canto = canção
exceto = exceção
junto = junção

b) Usa-se ç em palavras terminadas em TENÇÃO referentes a verbos derivados de TER:
deter = detenção
reter = retenção
conter = contenção
manter = manutenção

c) Usa-se ç em palavras derivadas de vocábulos terminados em TOR:
infrator = infração
trator = tração
redator = redação
setor = seção

d) Usa-se ç em palavras derivadas de vocábulos terminados em TIVO:
introspectivo = introspecção
relativo = relação
ativo = ação
intuitivo – intuição

e) Usa-se ç em palavras derivadas de verbos dos quais se retira a desinência R:
reeducar = reeducação
importar = importação
repartir = repartição
fundir = fundição

f) Usa-se ç após ditongo quando houver som de s:
eleição
traição

Grupo 02

a) Usa-se s em palavras derivadas de verbos terminados em NDER ouNDIR:
pretender = pretensão, pretensa, pretensioso
defender = defesa, defensivo
compreender = compreensão, compreensivo
repreender = repreensão
expandir = expansão
fundir = fusão
confundir = confusão

b) Usa-se em palavras derivadas de verbos terminados em ERTER ouERTIR:
inverter = inversão
converter = conversão
perverter = perversão
divertir = diversão

c) Usa-se s após ditongo quando houver som de z:
Creusa
coisa
maisena

d) Usa-se s em palavras terminadas em ISAsubstantivos femininos:
Luísa
Heloísa
Poetisa
Profetisa
Obs: Juíza escreve-se com z, por ser o feminino de juiz, que também se escreve com z.

e) Usa-se s em palavras derivadas de verbos terminados em CORRERou PELIR:
concorrer = concurso
discorrer = discurso
expelir = expulso, expulsão
compelir = compulsório

f) Usa-se s na conjugação dos verbos PÔRQUERERUSAR:
ele pôs
ele quis
ele usou

g) Usa-se s em palavras terminadas em ASEESE, ISEOSE:
frase
tese
crise
osmose
Exceções: deslize e gaze.

h) Usa-se s em palavras terminadas em OSO, OSA:
horrorosa
gostoso
Exceção: gozo

Grupo 03

a) Usa-se o sufixo indicador de diminutivo INHO com quando esta letra fizer parte do radical da palavra de origem; com z quando a palavra de origem não tiver o radical terminado em s:
Teresa = Teresinha
Casa = casinha
Mulher = mulherzinha
Pão = pãozinho

b) Os verbos terminados em ISAR serão escritos com s quando esta letra fizer parte do radical da palavra de origem; os terminados em IZAR serão escritos com z quando a palavra de origem não tiver o radical terminado em s:
improviso = improvisar
análise = analisar
pesquisa = pesquisar
terror = aterrorizar
útil = utilizar
economia = economizar

c) As palavras terminadas em ÊS e ESA serão escritas com s quando indicarem nacionalidade, títulos ou nomes próprios; as terminadas em EZ e EZA serão escritas com z quando forem substantivos abstratos provindos de adjetivos, ou seja, quando indicarem qualidade:
Teresa
Camponês
Inglês
Embriaguez
Limpeza

Grupo 04

a) Os verbos terminados em CEDER terão palavras derivadas escritas com CESS:
exceder = excesso, excessivo
conceder = concessão
proceder = processo

b) Os verbos terminados em PRIMIR terão palavras derivadas escritas com PRESS:
imprimir = impressão
deprimir = depressão
comprimir = compressa

c) Os verbos terminados em GREDIR terão palavras derivadas escritas com GRESS:
progredir = progresso
agredir = agressor, agressão, agressivo
transgredir = transgressão, transgressor

d) Os verbos terminados em METER terão palavras derivadas escritas com MISS ou MESS:
comprometer = compromisso
prometer = promessa
intrometer = intromissão
remeter = remessa

Grupo 05

a) Escreve-se com j a conjugação dos verbos terminados em JAR:
Viajar = espero que eles viajem
Encorajar = para que eles se encorajem
Enferrujar = que não se enferrujem as portas

b) Escrevem-se com j as palavras derivadas de vocábulos terminados em JA:
loja = lojista
canja = canjica
sarja = sarjeta
gorja = gorjeta

c) Escrevem com j as palavras de origem tupi-guarani.
Jiló
Jibóia
Jirau

Grupo 06

a) Escrevem-se com g as palavras terminadas em ÁGIOÉGIOÍGIO,ÓGIOÚGIO:
pedágio
sacrilégio
prestígio
relógio
refúgio

b) Escrevem-se com g os substantivos terminados em GEM:
a viagem
a coragem
a ferrugem
Exceções: pajemlambujem

c) Palavras iniciadas por ME serão escritas com x:
Mexerica
México
Mexilhão
Mexer
Exceção: mecha de cabelos

d) As palavras iniciadas por EN serão escritas com x, a não ser que provenham de vocábulos iniciados por ch:
Enxada
Enxerto
Enxurrada
Encher – provém de cheio
Enchumaçar – provém de chumaço

e) Usa-s x após ditongo:
ameixa
caixa
peixe
Exceções: recauchutar, guache

terça-feira, 7 de maio de 2013

As novas regras ortográficas


As novas regras ortográficas já estão valendo desde o dia 1º de janeiro de 2009, e de acordo com o decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, haverá um período de transição até 2012 em que serão válidas as duas formas de escrever: a antiga e a nova.

Quais as mudanças?
Acentuação dos ditongos das palavras paroxítonas
Some o acento dos ditongos (quando há duas vogais na mesma sílaba) abertos éi e ói das palavras paroxítonas (as que têm a penúltima sílaba mais forte):
idéia - ideia
bóia - boia
asteróide - asteroide
Coréia - Coreia

ATENÇÃO! As palavras oxítonas como herói, papéis, troféu mantêm o acento.
Acento circunflexo em letras dobradas
Desaparece o acento circunflexo das palavras terminadas em êem e ôo (ou ôos):
crêem - creem
lêem - leem
dêem - deem
vêem - veem
prevêem - preveem
enjôo - enjoo
vôos – voos
Acento agudo de algumas palavras paroxítonas
Some o acento no i e no u fortes depois de ditongos (junção de duas vogais), em palavras paroxítonas:
baiúca - baiuca
bocaiúva - bocaiuva
feiúra - feiura
ATENÇÃO! Se o i e o u estiverem na última sílaba, o acento continua como em: tuiuiú ou Piauí
Acento diferencial Some o acento diferencial (aquele utilizado para distinguir timbres vocálicos):
pêlo - pelo
pára - para
pólo - polo
pêra - pera
côa - coa
ATENÇÃO! Não some o acento diferencial em pôr (verbo) / por (preposição) e pôde (pretérito) / pode (presente). Fôrma, para diferenciar de forma, pode receber acento circunflexo.
Acento diferencial
Some o acento diferencial (aquele utilizado para distinguir timbres vocálicos):
pêlo - pelo
pára - para
pólo - polo
pêra - pera
côa - coa
ATENÇÃO! Não some o acento diferencial em pôr (verbo) / por (preposição) e pôde (pretérito) / pode (presente). Fôrma, para diferenciar de forma, pode receber acento circunflexo.
Acento agudo no u forte
Desaparece o acento agudo no u forte nos grupos gue, gui, que, qui, de verbos como averiguar, apaziguar, arguir, redarguir, enxaguar:
averigúe - averigue
apazigúe - apazigue
ele argúi - ele argui
enxagúe você - enxague você
ATENÇÃO! As demais regras de acentuação permanecem as mesmas.
Eliminação do hífen em alguns casos O hífen não será mais utilizado nos seguintes casos:
1. Quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente:
extra-escolar - extraescolar
aero-espacial - aeroespacial
auto-estrada - autoestrada
2. Quando o segundo elemento começa com s ou r, devendo estas consoantes serem duplicadas:
anti-religioso - antirreligioso
anti-semita - antissemita
contra-regra - contrarregra
infra-som - infrassom
ATENÇÃO! O hífen será mantido quando o prefixo terminar em r-Exemplos: hiper-requintado, inter-resistente, super-revista.

Extinção do trema
Desaparece em todas as palavras:
freqüente - frequente
lingüiça - linguiça
seqüestro - sequestro
ATENÇÃO! O trema permanece em nomes como Müller ou Citröen.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

GLOSSÁRIO DE TEATRO



A
Agon - termo da Comédia antiga (Aristófanes) para designar o diálogo central de um conflito entre inimigos. Hoje o termo é mais lato referindo-se ao ponto central de uma história ,ao coração de um drama.
Antagonista- Personagem em oposição ou em conflito. O caracter antagonista do universo teatral é um dos princípios essenciais da forma dramática.
Anti-herói - Personagem principal que não corresponde ás características ou aos valores do herói tradicional.
Antiteatro - Termo geral que designa uma dramaturgia e um estilo de jogo dramático que nega todos os princípios da ilusão teatral. O termo aparece nos anos cinquenta , nos começos do teatro do absurdo.
Antonomasia - Figura de estilo que substitui o nome de um personagem por uma perífrase ou por um nome comum que o caracteriza.( O homem da coragem ao vento- D.Quixote)
Aparte - Palavra ou expressão que o actor diz á parte para si, mas de maneira a entender-se no público.
Aforismo - Fórmula resumida que define um saber científico ou moral.
Arquétipo - Personagem que se assume como modelo mítico do imaginário de um povo Que está acima de um modelo real.
Argumento - Resumo da história da peça que leva à cena. Pode-se falar igualmente de um argumento de ballet.
Arlequinada – Peça com ou sem palavras que tem o Arlequim por personagem central.
Assonância - Repetição do mesmo som, especialmente da vogal acentuada no fim de cada verso (bela e tela).
Attente - Atitude de espectativa do público quando actua em antecipação à conclusão e há resolução final dos conflitos
Advertência- texto marginal do autor dramático quando se dirige ao leitor para adverti-lo das suas intenções, para precisar as circunstâncias do seu trabalho, analisar a sua obra.

B
Barroco - Diz-se de um estilo caracterizado pela liberdade de formas e a profusão de ornamentos
Burlesco - forma cômica exagerada e de paródia, empregando expressões triviais para travestir personagens e situações heroicas  a epopeia burlesca aparece em França no século XVIII. No século XX, o burlesco encontra a sua prefeita expressão em certos filmes cômicos (ex:Charlie Chaplin, Buster Keaton) e nos espectáculos de “music-hall”.

C
Canevas - Resumo ou “cenário” de uma peça para as improvisações de atores, em particular os da Comedia dell’arte.
Caráter - Traço próprio a uma pessoa que a permite distinguir dos outros. Conjunto de traços físicos, psicológicos e morais de um personagem. Pessoa ou personagem considerada na sua individualidade, originalidade, nas suas qualidades morais. Os caracteres constituem, segundo Ariosto, um dos seis elementos da tragédia, com o canto, elocução(estilo do discurso), a fábula, o pensamento e o espetáculo.
Carnavalização - Transformação espetacular de um evento por um reverso total de situações habituais, do sério para o cômico.
Catástrofe - Da tragédia grega, última das quatro partes da obra, onde o herói recebe a sua punição, geralmente funesta.
Catharsis - Efeito de purgação das paixões produzido sobre os espectadores numa representação dramática não distanciada.
Canto - Do teatro grego, termo para designar o texto poético de coro. No teatro de Brecht aplicava-se também o canto embora com intenção parcialmente diferente.
Cena – Termo designando o espaço de atuação Parte ou divisão de um ato onde não está previsto nenhuma mudança de personagens.
Cenografia – Arte da organização do espaço teatral. Conjunto de elementos (tela pintadas, praticáveis, mobiliário...) que determinam este espaço.
Coreografia - termo, vindo do teatro grego que designava a arte de dirigir os coros, utilizada depois no começo do século XVIII , para designar a arte de compor as danças e de regular as figuras e os passos. Hoje em dia utiliza-se este termo para designar a encenação do teatro gestual e mesmo do ballet.
Coro - Grupo - ou grupos alternados - encarregados de intervir colectivamente, por meio do canto, da dança e o recitativo, dentro do “quadro” de um ritual ou de um espetáculo. No teatro grego, a intervenção dos coreutas, dirigido por um corifeu, dá-se o nome de “Choreia”.
Comédia - Ação cênica que provoca o riso pela situação das personagens ou pela utilização de trejeitos e dos caracteres, cujo desfecho é feliz.
Comédia musical - Comédia ou intriga, pouco restrita, que serve de pretexto a uma série de canções e de danças. Um bom exemplo é a comédia musical “Hair” composta em 1967.
Comédia dell’arte - Gênero de comédia na qual, o “cenário” ou “canevas” servia apenas de regra para a improvisação dos atores. Este gênero existiu entre os séculos XVI a XVIII ,iniciou-se em Veneza ,em Itália e estendeu-se por toda a Europa.
Conotação - Conjunto de valores subjetivos variáveis de uma palavra.
Consola - Aparelho de controle das luzes e do som
Contexto - Conjunto de circunstâncias que rodeiam a emissão do texto linguístico e/ou da sua representação, circunstâncias que facilitam ou permitem a sua compreensão.
Contraponto - Série de linhas temáticas ou de intrigas paralelas que se correspondem num princípio de contraste.
Convenção teatral - Conjunto de pressupostos ideológicos e estéticos, explícitos ou não, que permitem ao publico receber corretamente a peça; por exemplo: a Quarta parede do palco, os apartes dos atores , o uso de um coro, o uso de objetos com outras funções; o próprio palco como espaço de ficção.
Corifeu - Chefe do coro, no teatro grego.

D
Diálogo – Conversa entre dois personagens. Encaixe de palavras trocadas pelas personagens de uma peça de teatro.
Dialogismo – caráter dialogado de um texto não teatral (ex: processo verbal de um interrogatório, troca de palavras numa récita, etc)Num sentido largo, o termo designa a estrutura de toda a ficção fundada sobre um conflito entre duas polaridades.
Didascal – Nome dado na Grécia àquele que ensinava uma arte, nomeadamente a arte dramática.
Didascália – Instrução do Didascal aos seus intérpretes. Diz-se das indicações cênicas dadas fora do texto, separadas das réplicas.
Diegese – Imitação de um evento em palavras, que contam uma história sem representação dos personagens.
Distanciação – Efeito teatral pelo qual o ator ou o encenador tentam evitar a identificação a um personagem ou a uma situação em particular. Efeito obtido por diversos processos de recuo, como “dirigir-se ao público”, a fabula épica, utilização de gestos sociais, as canções, técnicas de luz, etc.
Distribuição – Repartição dos papéis.
Dithyrambo – Cântico lírico à glória de Dionísios donde nasceu a tragédia.
Docudrama – (teatro documental) peça que utiliza por texto documentos autênticos sobre determinado evento.
Dramaticidade – Caráter do que é dramático; qualidade de um texto, de um espaço ou de um acontecimento que são susceptíveis de se porem em cena.
Dramatis personae – Personagens ou protagonistas cujos nomes figuram no genérico de uma peça
Dramaturgo – Autor de um texto dramático
Dramaturgia – Arte da composição de peças de teatro. Técnica ou poética da arte dramática que procura estabelecer os princípios da construção da obra.
Dramaturgista – Especialista de dramaturgia. Muitas vezes assistente do encenador, está encarregado de diversas questões relativas ao texto (reportório, adaptação de peças, redação, documentação...)Dizemos geralmente que é um conselheiro dramatúrgico.
Drama – Ação cênica representada por personagens.

E
Escrita dramática - Estrutura literária que se funda sobre alguns princípios dramatúrgicos  separação de papéis, diálogos, tensão dramática, ação dos personagens.
Escrita cênica – Maneira de utilizar o aparelho teatral para pôr em cena os personagens, o lugar e a ação que se desenrolam.
Espetáculo – aquilo que se oferece ao olhar(performance ou representação). Um dos seis elementos da tragédia de Aristóteles.
Efeito de destaque - Pôr em primeiro plano um fenômeno fazendo realçar a estrutura artística da mensagem.
Encenação – Conjunto de meios de interpretação cênica (cenografia, musica, jogo, etc....); atividade que consiste em conjugar estes meios. Articulação entre o trabalho de criador e coordenador de uma equipa de artistas; transposição de uma escrita dramática numa escrita cênica.
Epílogo – Discurso recitativo no fim de uma peça.
Épico – Diz-se de uma fábula tirada da vida dos homens, é engrandecida e tratada de tal maneira, nomeadamente por ajustes ideológicos, que é impossível para o espectador de se identificar com o herói ou com a situação.
Episódios - Capítulos da tragédia grega entre o prólogo e o êxodo e entre as intervenções cantadas e dançadas do coro.
Espaço dramático – Construção imaginária, pelo leitor e espectador, da estrutura espacial de um drama.
Espaço cênico – Espaço proposto sobre a “cena” pelo cenógrafo e seus colaboradores.
Estética – Filosofia do belo. O seu objecto é o bom e a verdade. Estudo que se dedica a definir os critérios de julgamento em matéria de poesia e arte.
Êxodo – Canto coral de saída.
Exposição – Informações fornecidas nas primeiras cenas para permitir que a situação evolua e a ação desenvolva.

F
Fábula – Conjunto de factos que constituem o elemento narrativo de uma obra. Um dos seis elementos da tragédia ,segundo Aristóteles, com os caracteres, o canto, a elocução, o pensamento e o espetáculo.
Farsa – Comédia trivial muitas vezes caracterizada por uma série de enganos e que terminava muitas vezes com pancadaria.
Fatalidade – Força sobrenatural pela qual tudo o que acontece (sobretudo desagradável) é predestinado e determina todos os acontecimentos de uma maneira inevitável. A fatalidade é o motor da tragédia grega.
Ficção – Forma do discurso que faz referencia a um universo conhecido. Mas através de pessoas e eventos imaginários.
Focalização ação de pôr em evidência, de fazer convergir num determinado ponto.
Fora do texto – Termo para designar o contexto e intertexto.
Fresnelle – Projetor cujo poder de iluminar é aumentado por uma lente graduada.

G
Grotesco – Cômico caricatural, de tipo bizarro, burlesco ou fantástico, por vezes absurdo ou irreal.

H
Happening – Espetáculo que exige a participação ou prevê uma reação do público, e que procura provocar uma criação artística espontânea, eventualmente colectiva.
Herói – Tipo de personagem dotado de poderes fora de comum e que pode “levantar-se” a favor ou contra a Cidade (Grécia). Personagem principal de uma obra.

I
Icon – Sinal visual que sugere um determinado objecto em virtude do carácter e qualidades que ele possui.
Identificação – Trabalho do ator e do espectador para adotar as atitudes e os sentimentos de um personagem num dado contexto teatral.
Ilusão – Fenômeno que faz que tomemos a ficção por real e verdadeira.
Inspiração – Teoria platônica segundo a qual, no momento da criação, o pensamento de um poeta, é trocado por um estado perto da demência que faz o ator parecer um Deus.
Intertexto – Conjunto de fragmentos citados num dado corpus;
Relação de ordem textual resultante de estar em presença de dois ou mais discursos de arte ou de escrita.
Intertextualidade  Fenômeno segundo o qual um texto parece situar-se na junção de diversos discursos.
Intriga – Conjunto de acontecimentos que constituem o “motor” da peça. Série de entrelaçamento de conflitos ou de obstáculos postos numa obra com vista a serem ultrapassados..

J
Jogo – Em teatro, o termo designa tanto uma forma de representação medieval como unidade disciplinar no ensino das artes de cena( jogo dramático) , e ainda as modalidades de interpretação de um actor (jogo realista, jogo distanciado, etc.).

K
Kabuki – Forma tradicional do teatro japonês, exclusivamente masculino, caracterizado pela violência das intrigas e a sumptuosidade do guarda-roupa e maquilhagens. A gestualidade ,que exprime muitas vezes os sentimentos humanos pela dança, sobrepõem-se geralmente sobre o texto inaudível de histórias bem conhecidas.

L
Lazzi – Elemento mímico ou improvisação do ator que serve para caracterizar comicamente um personagem.
Leitura – No teatro: Decifração e interpretação dos diferentes sistemas cênicos que se oferecem à percepção do leitor(texto dramático) ou espectador (texto cênico . A leitura pode ser horizontal ou vertical. Ler um texto, é estabelecer os laços entre as variáveis produtoras de sentido e importar os elementos imperativos susceptíveis de tecer um texto dentro de um texto.
Literalidade – Caráter de um texto considerado como obra literária.

M
Melodrama – Drama popular, muitas vezes acompanhado por melodia, caracterizado pela inverosimilhança da intriga e das situações, a multiplicidade de episódios violentos é outra das características.
Mímica – Num primeiro sentido, imitação direta de uma ação, contando uma história por gestos. Hoje em dia a Mímica distingue-se da pantomima essencialmente por se libertar, como a dança, de grandes figurações e de referencias para se especializar na criação de formas novas, por vezes abstractas.
Mimodrama – Acção dramática representada em pantomima ou linguagem corporal.
Monodrama – Drama cujos personagens são apresentados do ponto de vista de um só.
Monólogo – Cena falada apenas por um personagem; discurso aparentemente dirigido a ele mesmo, ou a um auditório do qual não se espera resposta. Na análise do discurso teatral, é considerado como uma variedade do diálogo.
Montagem – Diz-se de uma colagem de textos e por vezes da encenação; ou realização material da encenação.
Motivo – Imagem visual ou sonora, modulada ou repetida, que faz parte de um tema. Unidade indissociável da intriga, que constitui uma unidade autônoma da ação.
Musica de cena - Contribuição musical de um texto cênico  que anuncia ou sublinha uma emoção, ou para acompanhar uma ação ou um texto, ou mesmo substituir completamente um texto dramático.
Mistério – Ação cênica de ordem religiosa- egípcia, grega, medieval – e principalmente dedicada à vida dos deuses na terra.

N
Naturalismo – Representação realista de Natureza ou do natural.
Nô – Drama lírico japonês(mimado, cantado e dançado, com coros e instrumentos), executado no teatro, com guarda-roupa e máscaras, sem cenário. Compreende secções de prosa (kotoba) e de poesia (utai). Inspira-se geralmente em lendas e contos antigos do Japão, onde os seus atores são o shité e o waki, o segundo é uma espécie de duplo do primeiro.

O
Objetivo e Superobjetivo – Motivações que, segundo C. Stanislavski, estruturam a estratégia global de um personagem.
Ópera – Drama lírico, inteiramente cantado, realizado num Teatro com cenários e guarda-roupa.
Opereta – Comédia lírica, constituída de cantos e diálogos ou pantomimas alternadas com cenários e guarda-roupa.

P
Papel – Conjunto de indicações de acções de um personagem; é a vida de um personagem; Conjunto de réplicas de um personagem.
Parada – Forma de intervenção teatral que se faz à porta das salas de espetáculo, para angariar publico.
Parateatro – diz-se das formas paralelas do teatro.
Paródia – Peça ou fragmento dela do gênero burlesco que se transveste uma obra maior.
Patético – Modo de recepção de um espetáculo que provoca a compaixão
Pathos – Emoção ou paixão, amplificada ou simulada, susceptível, por técnicas específicas do teatro, de suscitar ou manipular no publico sentimentos naturais de piedade ou de terror, com vista a provocar a catarsis.
Performance – Expressão artística de unidade variável que consiste em produzir determinados eventos por meio de gestos e ações sem contar qualquer história .
Práxis – Ação dos personagens, ação que se manifesta na cadeia de acontecimentos ou fábula.
Prólogo – Parte da peça que nos gregos precede a entrada do coro.
Procenium – Parte anterior do palco.
Psicodrama – Técnica de investigação psicológica que procura analisar os conflitos interiores em fazendo jogar um quadro improvisado a partir de quaisquer dados.

Q
Quadro – Divisão de um texto dramático ou cênico  fundado sobre uma mudança do espaço ou do espaço-tempo. Constitui uma alternativa à cena ou ao ato. Bertold Brecht revalorizou es tipo de divisão.
Quarto muro – No teatro naturalista: muro imaginário que separa a cena da sala.
Quiproquó – Situação de engano que faz prender um personagem – ou uma coisa – a outra.

R
Realismo – Concepção da arte e da literatura, segundo a qual não se deve procurar idealizar o real ou mesmo depurá-lo.
Récita – Fábula. Discurso de um personagem narrando um acontecimento que se produz fora de cena.
Recitativo – Na Ópera ou na cantata, parte declamada – não cantada - cujo ritmo e métrica difere do canto ou da música que a precedem ou a seguem.
Repertório – Conjunto de peças realizadas por uma companhia teatral; conjunto de peças do mesmo estilo ou de uma mesma época; conjunto de papéis que um ator já interpretou e que fazem parte do seu curriculum.
Réplica – Resposta a um discurso; texto dito por um personagem no decurso de um diálogo.
Retórica – Termo empregado para designar a arte de persuadir, a lista de figuras de estilo e de juízos de escola num discurso artístico e literário.

S
Sátira – Gênero teatral de origem grega; Discurso que ataca alguém ou qualquer coisa, gozando isso.
Signo – A mais pequena unidade de sentido, proveniente da combinação de um significado e significante. 
Situação dramática – Conjunto de dados textuais e cênicos cujo conhecimento é indispensável para a compreensão do texto e da ação.
Sociodrama – Técnica inspirada da criação colectiva teatral e empregada na terapia de grupo.
Solilóquio – Discurso de um pessoa que fala para si mesma; monólogo interior. Discurso de uma pessoa que, em companhia, está apenas a falar para si mesma.
Song – Intervenção coral, no teatro brechtiano.
Subtexto – Aquilo que não se diz explicitamente no texto dramático, mas que ressalta da interpretação do ator.
Sublime – Categoria estética que designa um sentimento que faz “sair” aquele que experimenta os limites habituais da sua percepção do belo, para o conduzir em direção à grandiosidade ou ao horror.
Suspense – Momento ou passagem que faz nascer um grande sentimento de angústia ou de dúvida; caráter daquilo que é susceptível de provocar este sentimento.
Simbolismo – Movimento artístico e literário que, em reação ao Naturalismo, se esforça de fundar a arte sobre uma visão espiritual do mundo, traduzida por meios de expressão metafóricos ou poéticos.

T
Texto dramático – Escrito onde a teatralidade é explicitamente inscrita.
Texto cênico – Produto da encenação, que foi produzido ou não por um texto dramático.
Teatralidade – Caráter do que é teatral; pela qual um escrito, um espaço ou um evento se definissem como configuração de elementos estilísticos e de valores diferenciados (guarda-roupa, personagens, adereços, etc...), regras, implicitamente ou explicitamente, por leis do sistema teatral. Pode-se falar da teatralidade de um evento judiciário, de um lugar sagrado, de uma máscara primitiva...
Tragédia – Ação cênica cujas peripécias são dirigidas por uma fatalidade e cujo desfecho é sempre funesto.

U
Unidade de ação – caráter de uma peça do qual a matéria narrativa se organiza á volta de uma fábula principal á qual as intrigas anexas são logicamente ligadas.
Unidade de lugar – Carácter de uma peça segundo a qual se organiza à volta de um e mesmo espaço.
Unidade de tempo - Carácter de uma peça cuja acção se organiza no mesmo tempo de ação.

V
Variedades – Espetáculo que apresenta diversas atrações (canções, danças ,etc...).
Verosimilhança - Caráter pela qual as ações, os personagens e os ligares representados são percepcionados pelo publico com uma imitação da realidade e não como uma realidade verdadeira ou sobrenatural.