terça-feira, 30 de setembro de 2014

POR QUE - PORQUE - POR QUÊ - PORQUÊ

O uso dos porquês
O uso dos porquês é um assunto muito discutido e traz muitas dúvidas. Com a análise a seguir, pretendemos esclarecer o emprego dos porquês para que não haja mais imprecisão a respeito desse assunto.
1) Por que
O por que tem dois empregos diferenciados:
Quando for a junção da preposição por + pronome interrogativo ou indefinido que, possuirá o significado de “por qual razão” ou “por qual motivo”:
Exemplos:
Por que você não vai ao cinema? (por qual razão)
Não sei por que não quero ir. (por qual motivo)
Quando for a junção da preposição por + pronome relativo que, possuirá o significado de “pelo qual” e poderá ter as flexões: pela qual, pelos quais, pelas quais.
Exemplo:
Sei bem por que motivo permaneci neste lugar. (pelo qual)

2) Por quê
Quando vier antes de um ponto, seja final, interrogativo, exclamação, o por quê deverá vir acentuado e continuará com o significado de “por qual motivo”, “por qual razão”.
Exemplos:
Vocês não comeram tudo? Por quê?

Andar cinco quilômetros, por quê? Vamos de carro.

3) Porque
É conjunção causal ou explicativa, com valor aproximado de “pois”, “uma vez que”, “para que”.
Exemplos:
Não fui ao cinema porque tenho que estudar para a prova. (pois)
Não vá fazer intrigas porque prejudicará você mesmo. (uma vez que)

4) Porquê
É substantivo e tem significado de “o motivo”, “a razão”. Vem acompanhado de artigo, pronome, adjetivo ou numeral.
Exemplos:
O porquê de não estar conversando é porque quero estar concentrada. (motivo)
Diga-me o porquê para não fazer o que devo. (uma razão)






sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Regras de Acentuação Gráfica



De acordo com o Novo Acordo Ortográfico, em vigor desde 2009, temos a seguir as regras de acentuação gráfica.

Monossílabos tônicas: Acentuamos todas as palavras monossílabas tônicas terminadas em a(s), e(s), o(s).
Pá, pós, já, pés.

Os ditongos monossilábicos abertos éi(s), éu(s), ói(s) também são acentuados: Céu, véu, dói, réis.

Palavras oxítonas: 
Acentuamos as oxítonas terminadas em a(s), e(s), o(s), em/ens.
Amapá, compôs, reféns, bambolê.

Nas palavras oxítonas, os ditongos abertos éi(s), éu(s), ói(s) também são acentuados: Herói, troféus, papéis.

Oxítonas terminadas em i(s) e u(s) também são acentuadas: Piauí, tuiuiú.

Palavras paroxítonas: 
Acentuamos as paroxítonas terminadas em l, n, r, x, i(s), u(s), ps, ã(s), ão(s), um(uns).
Lavável, pólen, repórter, tórax, lápis, bônus, bíceps, ímãs, sótão, álbum.

Paroxítonas terminadas em ditongos orais (seguidos ou não de s) também são acentuadas.
Vácuo, insônia, subúrbio.

Atenção    Ditongos abertos éi(s), ói(s), éu(s) não são mais acentuados nas palavras paroxítonas.
Ideia, apoia, colmeia, assembleia, jiboia

Atenção     Não utilizamos mais acentos no i e no u quando, nas palavras paroxítonas, estas letras vierem depois de um ditongo.
Feiura, baiuca, bocaiuva.

Palavras proparoxítonas:
Todas as proparoxítonas são acentuadas.   Matemática, trânsito, farmacêutico, estético.

Letras I e U na segunda vogal do hiato
Estas letras receberão acento se estiverem sozinhas na sílaba, na segunda vogal do hiato e sem nh após estas letras.   Caída, traíram, faísca, carnaúba.

Atenção       É preciso, no entanto, ficar atento às regras de I e U para as oxítonas e paroxítonas antes de acentuar palavras que se encaixem nesta regra.

Verbos ter e vir
Na terceira pessoa do plural destes verbos, estas palavras serão acentuadas.   Eles têm, eles vêm.
Nos derivados de ter e vir (manter, intervir, convir, etc) a terceira pessoa do singular terá acento agudo e a terceira pessoa do plural terá acento circunflexo.    Ele mantém, eles intervêm.

Acentos diferenciais
Os acentos diferenciais serão obrigatórios nas palavras pôr (verbo) e pôde (passado do verbo poder).
O acento diferencial é opcional somente em dêmos/demos (presente subjuntivo do verbo dar) e fôrma/forma (recipiente).    

Palavras com as repetições oo, ee      Não são acentuadas.   Voo, veem, perdoo.



quinta-feira, 4 de setembro de 2014

RESUMO GERAL DE LITERATURA

A SEMANA DE ARTE MODERNA E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA A RENOVAÇÃO CULTURAL
 Foto: Comissão Organizadora da Semana da Arte  Moderna
Durante os dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, 
em São Paulo uma dezena de jovens artistas 
excêntricos e inquietos realizaram um dos 
mais vigorosos movimentos dentro das artes 
no Brasil. Esse movimento foi marcado 
por suas conferências, concertos, exposição
 de artes plásticas, tendo como palco para
 toda essa batalha, o Teatro Municipal, 
que viu durante essa semana cair toda sua
pompa e seriedade, diante das continuadas vaias de um público muitas vezes
 tão excêntrico quanto os próprios artistas que lá gritavam pela renovação.

Os futuristas - como eram chamados, tomados por forte coragem gritavam
 pelo direito de uma pesquisa estética, e pelo desejo de ver nossa cultura
 numa posição mais privilegiada, podendo manifestar livremente toda a 
consciência criadora nacional. As idéias desses jovens apareceram bastante
 divididas diante de um público nem sempre bem informado acerca das
 inovações que aconteciam lá fora. De um modo geral foi muito restrito
 o público que tomou conhecimento do fato que estava acontecendo 
durante aquela semana, mas os que lá estiveram participaram ativamente
 da manifestação, nem que fosse simplesmente pelo prazer de vaiar.




Embora tenha eclodido em 1922 - semana de arte moderna
 começou bem antes dessa data, pois os primeiros passos no
 sentido de se criar algo que representasse especialmente
 o espírito dos artista brasileiro, tiveram início no ano de
 1912, com a chegada de Oswaldo de Andrade, da França,
 onde em Paris entusiasmara-se desvairadamente com o 
manifesto futurista de Martinetti. Aqui chegando,
 fortalecido pelas experiências européias.




Oswaldo de Andrade, pensou imediatamente em quebrar
 o nosso marasmo com o exemplo dos franceses, e por isso
 mesmo escreveu em versos livres um dos mais ousados
 poemas da época: O último passeio de um tuberculoso
 pela cidade, de bonde obra que infelizmente poucos
 conheceram, uma vez que até os originais foram perdidos
 ou jogados fora. De qualquer forma direta ou indiretamente
 colaborar para uma séria ruptura entre a imitação e criação.


Dois anos, depois, em 1914, Anita Malfati, pintora paulista, 
chega também à sua terra trazendo dentro de si toda a
 estrutura e a força vibrante da pintura alemã, o que
 também não deixou de causar algumas controvérsias
 em torno daquilo que se pretendia buscar. Segundo
 depoimento da própria artista, suas telas foram
 consideradas horríveis, dantescas e sem expressão
 para o público que as viu em exposição. Mas o pior 
ainda não havia acontecido.

Estava reservado para o ano de 1917, quando expõe
 53 trabalhos, considerados por ela como sua melhor
 produção, e duas semanas após a abertura aparece 
pelo Estado de São Paulo, uma crítica violenta 
assinada por Monteiro Lobato, sob o título de 
Paranóia ou Mistificação o suficiente para
 derrubar todo o entusiasmo da jovem artista,
 que acabou voltando para um academicismo disfarçado.

Apesar de todas as críticas e agressões, em São Paulo
 e no Rio, continuavam aparecer manifestações esparças 
que na realidade traduziam toda explosão de uma nova 
geração perdida entre o passado odioso e um futuro
 incerto. Vários outros nomes apareceram, sobretudo
 em São Paulo, onde ganharam destaque Paulo Prado,
 Victo Brecheret, Villa-Lobos, Guiomar Novaes, 
Di Cavalcanti, Menote Del Picchia e de um modo 
todo especial o líder intelectual do movimento
 - Mário de Andrade, sem dúvida alguma um dos
 mais fortes estimulantes de nossa vida intelectual
 que durante muito tempo dividiu mérito com 
Graça Aranha, que abriu a semana com a conferência
 A emoção estética na arte moderna, e que por vários
 anos foi aclamado pelos artistas paulistas e cariocas
 como verdadeiro líder sobretudo depois de ter rompido 
publicamente com a Academia Brasileira de Letras.
 Embora tenha gozado de tão grande prestígio durante 
o movimento de 22, e assumindo a clara posição de líder 
ao lado de Mário de Andrade, o estudioso do Modernismo,
 Mário da Silva Brito, vem mais tarde esclarecer a verdadeira 
posição de cada um, e entregando ao autor de Paulicéia Desvairada
 - título definitivo de Papa do Modernismo, sem contudo
 desmerecer a importante posição do autor de Canaã


Mário de Andrade e Oswald de Andrade


Continuando com os antecedentes da Semana - 
vamos ter ainda em 1917, importantes acontecimentos
 nos meios artísticos, que vieram engrossar as fileiras 
do movimento. Sob o pseudônimo de Mário Sobral, 
(Mário de Andrade) publica seus primeiros poemas
 num livro que chamou Há uma Gota de Sangue em 
Cada Poema - inspirada na tragédia da primeira Grande Guerra Mundial.

Paralelamente aparecem também Guilherme de Almeida
 com o livro de poemas "Nós" e Manuel Bandeira com
 Cinzas das Horas também em versos, enquanto
 Menote Del Picchia pelo jornal Imparcial - 
publica Juca Mulato - poesia. Estava dessa forma 
lançada a mais forte semente de um movimento 
decisivo dentro das artes brasileiras. No ano seguinte (1918)
 novos fatos apareceram, trazendo com eles o grande
 desejo de uma inabalável afirmação cultural. Em 1919,
 retorna ao Brasil o escultor Victor Brecherett, que se
 tornaria mais tarde ao lado de Anita Malfatti e Di Cavalcanti,
 o grande responsável nas artes plásticas. no ano seguinte (1920)
 - novos acontecimentos importantes, principalmente para 
Brecheret que vê seu trabalho sendo publicamente elevado,
 e reconhecido como o símbolo da renovação plástica. 
Não muito distante em 1921, uma reunião na Livraria 
Jacinto Silva, contando com a presença de Oswaldo de Andrade,
 Menote Del Picchia, Mário de Andrade, Guilherme de Almeida 
e Di Cavalcanti (autor da idéia) - dá origem ao desejo de se 
fazer em São Paulo uma semana de artes, onde todos os novos
 teriam a possibilidade de mostrar ao público aquilo que estava 
fazendo. Tempos depois essa idéia é apresentada ao acadêmico
 Graça Aranha, que se entusiasma e resolve partir para a
 concretização do fato. Por outro lado continuavam chamejante
 as críticas e as polêmicas em torno do passado, derrubando 
os consagrados mestres do passado, e cantando um mundo 
novo e sem limitações dentro da criatividade. Depois de contar
 com a adesão dos artistas cariocas e ter em Graça Aranha 
e Paulo Prado, o prestígio e a ordem financeira.
 Mário e Oswaldo de Andrade parte para a resolução 
final, liderando os mais moços e definindo o grande
 acontecimento cultural para fevereiro de 1922, 
acontecendo ai o maior evento cultural brasileiro: Semana de Arte Moderna.



Trovadorismo
Poesia de melopéia: palavra e música
  • Idade Média / Feudalismo / Teocentrismo
  • Língua: galego-português (português arcaico)
  • Autor principal: Rei D. Dinis (1261-1325)
  • Poesia Lírica
    - Cantiga de amor (eu lírico masculino)
    - Cantiga de amigo (eu lírico feminino)
  • Poesia satírica
    - Cantiga de escárnio (crítica indireta)
    - Cantiga de maldizer (crítica direta)
  • Obras (antologias manuscritas):
    - Cancioneiro da Ajuda
    - Cancioneiro da Vaticana
    - Cancioneiro da Biblioteca Naciona


Humanismo
Transição da idade Média ao Renascimento
  • Crise do Feudalismo e da Igreja
  • Início do Mercantilismo / Grandes Navegações
  • Centralização da política: Absolutismo
  • Revalorização da Antiguidade clássica
  • Dualismo: Teocentrismo / Antropocentrismo
  • Obras importantes:
    - Prosa: Crônicas de Fernão Lopes (D. Pedro; D. Fernando; D. João)
    - Poesia: Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, 1516 (poesia palaciana de "medida velha")
    - Teatro: Gil Vicente (Auto da Barca do Inferno, 1517; Farsa de Inês Pereira, 1523; e mais de 40 outras peças)

Classicismo
Arte do Renascimento
  • Absolutismo / Mercantilismo / Reforma e Contra-Reforma
  • Humanismo / Antropocentrismo / Universalismo / Racionalismo
  • Arte = Mimese (imitação da natureza)
  • Estudo, imitação e emulação dos autores gregos e latinos da Antiguidade
  • Equilíbrio / Harmonia / Senso de proporções
  • Simplicidade / Clareza / Concisão
  • Rigor e perfeição formal
  • Ideal ético-estético: Bem = Beleza
  • Fusionismo: mitologia pagã e cristã
  • Obras magistrais:
    - Os Lusíadas (1572), Camões
    - Rimas (1595), Camões


Barroco
O homem em conflito
  • Apogeu do Absolutismo e da Contra-Reforma
  • Colonialismo
  • Ciclo da cana-de-açúcar
  • Dualismo: Teocentrismo e Antropocentrismo
  • Fusionismo: mitologia pagã e cristã
  • Sinuosidade labiríntica
  • Ornamentalismo (figuração abundante)
    - antítese, paradoxo e oxímoro
    - hipérbato, quiasmo, hipálage, gradação
    - hipérbole e sinestesia
    - aliteração e assonância
    - perífrase, metonímia e metáfora
  • Angústia mística: salvação / perdição
  • Angustia existencial:
    - Vida / morte
    - efemeridade da vida
    - fugacidade do tempo
  • Angustia erótica
    - sensualismo / platonismo
    - corpe diem ("colhe o dia") / pessimismo
  • Cultismo: sensorialismo / descrição
  • Conceptismo: intelectualismo / argumentação
  • Obras portuguesas essenciais:
    - Sermões (1679 a 1748), Pe. Antônio Vieira
  • Obra brasileira fundamental:
    - Obras Completas (1968), Gregório de Matos


Arcadismo
Neoclassicismo do séc. XVIII
  • Despotismo esclarecido
  • Revolução Gloriosa (Inglaterra, 1688)
  • Revolução Industrial (Inglaterra, c. 1760)
  • Independência dos EUA (1776)
  • Revolução Francesa (1789)
  • Inconfidência Mineira (1789)
  • Liberalismo / Iluminismo / Enciclopedismo
  • Ideal clássico: oposição ao Barroco
  • Convencionalismo:
    - aurea mediocritas: equilíbrio / armonia
    - inutilia truncat: concisão / simplicidade / clareza
    - fugere urbem: fugir da cidade
    - locus amoenus: bucolismo
    - pastoralismo: pseudônimos pastoris
    - carpe diem: "aproveita o dia" (de hoje)
  • Obra portuguesa mais importante:
  • Rimas (3 vol., 1791, 1799, 1804), Bocage
  • Obra-primas brasileiras:
    - Obras Poéticas (1768), Cláudio Manuel da Costa
    - O Uraguay (1769), Basílio da Gama
    - Marília de Dirceu (1792), Tomás Antônio Gonzaga


Romantismo
Afirmação da individualidade e da liberdade
  • Guerras napoleônicas
  • Decadência do Absolutismo
  • Independência do Brasil (1822)
  • Liberalismo
  • Individualismo
  • Subjetivismo
  • Sentimentalismo
  • Rebeldia
  • Nacionalismo
  • Naturismo
  • Panteísmo
  • Originalidade / Autenticação / Inspiração / Imaginação
  • Liberdade de expressão
  • Romantismo de evasão
    - Romances históricos:
    - medievalismo (Portugal)
    - indianismo (Brasil)
    - Romances de folhetim:
    - sentimentalismo
    - Poesia do mal do século (byronismo):
    - spleen (tédio / melancolia / egocentrismo
    - culto da noite / escapismo (sonho/morte)
  • Romantismo de oposição:
    - Romance social: problematização da realidade
    - Poesia libertária: condoreirismo
  • Obras portuguesas essenciais:
    - Viagens na Minha Terra (1846) e Frei Luís de Sousa (1844), Almeida Garret
    - Eurico, O Presbítero (1844), Alexandre Herculano
    - Amor de Perdição (1862) e A Queda de um Anjo (1866), Camilo Castelo Branco
    - As Pupilas do Senhor Reitor (1867), Júlio Dinis
  • Obras brasileiras decisivas:
    - Primeiros Cantos (1846), Gonçalves Dias
    - Lira dos Vinte Anos (1853), Álvares de Azevedo
    - Espumas Flutuantes (1870) e Os Escravos (1883), Castro Alves
    - A Moreninha (1844), Joaquim Manuel de Macedo
    - Memórias de um Sargento de Milícias (1854/55), Manuel Antônio de Almeida
    - O Guarani (1857), Iracema (1865), Lucíola (1862), O Gaúcho (1870), O Tronco do Ipê (1871), Til (1872), Senhora (1875), O Sertanejo (1875), José de Alencar
    - A Escrava Isaura (1875), Bernardo Guimarães
    - O Noviço (1853), Martins Pena

Realismo
Retratos da vida como ela é
  • II Revolução Industrial
  • Sociedade burguesa / luta de classes
  • Brasil: crise do II Reinado e do escravismo
  • Racionalismo materialista
    - Evolucionismo
    - (Charles Darwin)
    - Experimentalismo (Claude Bernard)
    - Positivismo (Auguste Comte)
    - Determinismo (Hippolyte Taine)
    - Socialismo científico (Karl Marx)
  • Características gerais:
    - Oposição ao Romantismo: perspectiva crítica
    - Observação e análise objetiva da realidade
  • Correntes literárias:
    - Realismo: análise psicológica
    - Naturalismo: análise patológica / cientificismo / zoomorfismo / estética de feio
    - Expressionismo: deformação e intensificação da realidade
    - Impressionismo: sugestão da realidade por sensações e impressões
    - Parnasianismo (poesia) Arte pela Arte
  • Obras portuguesas selecionadas:
    - Sonetos Completos (1886), Antero de Quental
    - O Livro de Cesário Verde (1887) Cesário Verde
    - A velhice do Padre Eterno (1885) e Os Simples (1892), GuerraJunqueiro
    - O Crime do Pe. Amaro (1875), O Primo Basílio (1878), O Mandarim (1880), A Relíquia (1887), Os Maias (1888), Correspondência de Fradique Mendes (1900), A Ilustre Casa de Ramires (1900), A Cidade e as Serras (1901), A Capital (1925), Eça de Queirós
  • Obras brasileiras selecionadas:
    - Sinfonias (1883), Raimundo Correia
    - Meridionais (1884), Alberto de Oliveira
    - Poesias (1888) e Tarde (1919), Olavo Bilac
    - O Mulato (1881) e O Cortiço (1890), Aluísio Azevedo
    - O Ateneu (1888) , Raul Pompéia
    - Poesias Completas (1900), Histórias sem Data (1884), Várias Histórias (1896), Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1898), D. Casmurro (1900), Esaú e Jacó (1904), Memorial de Aires (1908), Machado de Assis.


Simbolismo
Arte da sugestão
  • Imperialismo (neocolonialismo)
  • Lei Áurea (1888)
  • Proclamação da República: Brasil (1889), Portugal (1910)
  • Características ideológicas:
    - Arte = sugestão
    - Palavra = simbolismo das coisas
    - Poesia = expressão do mistério
    - senso de efemeridade: ser é não-ser
    - anseio de Absoluto; espiritualismo
    - escapismo: sonho, loucura; morte
    - ilogismo
  • Estilo:
    - expressões vagas e insólitas
    - versos nominais / reticências
    - iniciais maiúsculas (universalismo)
    - predomínio da parataxe (coordenação)
    - sensorialismo:
    - musicalidade (aliterações e assonâncias)
    - cromatismo
    - sinestesias (mistura de sensações)
  • Obras portuguesas:
    - Oaristos (1890), Eugênio de Castro
    - Só (1892), Antônio Nobre
    - Crepsidra (1920), Camilo Pessanha
  • Obras brasileiras:
    - Missal (1893), Broquéis (1893), Faróis (1900) e Últimos sonetos (1905), Cruz e Sousa
    - Dona Mística (1899), Kyriale (1902), Pastoral aos crentes do amor e da morte (1923), Alphonsus de Guimaraens


Pré-Modernismo
Literatura Brasileira do início do século XX
  • I Grande Guerra
  • Revolução Bolchevique
  • Brasil: República Velha / Revoltas populares
  • Visão crítica da realidade brasileira
  • Prosa: permanência do Realismo e do Naturalismo
  • Poesia: mescla de Parnasianismo e Simbolismo
  • Experiências precursoras da linguagem modernista na poesia e na prosa
  • Obras:
    - Os Sertões (1902), Euclides da Cunha
    - Triste Fim de Policarpo Quaresma (1915), Lima Barreto
    - Urupês (1918), Monteiro Lobato
    - Eu (1912), Augusto dos Anjos


Modernismo
Arte de vanguarda
  • Ascensão nazi-fascista
  • Crise da Primeira República Portuguesa
  • Tenentismo e Coluna Prestes (Brasil)
  • Vanguardas Artísticas: Cubismo, Futurismo, Expressionismo, Dadaísmo
  • Características gerais:
    - modernidade: velocidade / máquina
    - fragmentação / pluriperspectivismo / simultaneísmo
    - verso livre / coloquialismo
    - transgressão gramatical
    - prosaísmo (poesia do cotidiano)
    - poema-piada: humor / ironia / paródia
    - poema-pílula (composição curtíssima)
    - nacionalismo (primitivismo) / cosmopolitismo
  • Obras portuguesas essenciais:
    - Mensagem (1934), Poesias de Fernando Pessoa (1942), Poesias de Álvaro de Campos (1944), Poemas d Alberto Caeiro (1946) e Odes de Ricardo Reis (1946), Fernando Pessoa
    - Dispersão (1914) e A Confissão de Lúcio (1914), Mário de Sá Carneiro
  • Obras-primas brasileiras:
    - Paulicéia Desvairada (1922), Macunaíma (1928), Lira Paulistana (1946) e Cantos Novos (1947), Mário de Andrade
    - Memórias Sentimentais de João Miramar (1924), Manifesto da Poesia Pau-Brasil (1924) Pau-Brasil (1925), Primeiro Caderno do Aluno de Poesia Oswald de Andrade (1927), Manifesto Antropófago (1928) e Serafim Ponte Grande (1933), Oswald de Andrade
    - Estrela da vida inteira (poesia completa, 1917 - 1966), Manuel Bandeira
    - Martim Cererê (1928), Cassiano Ricardo
    - Cobra Norato (1931), Raul Bopp
    - Brás Bexiga e Barra Funda (1927), Antônio de Alcântara Machado


2º Modernismo
Entre a introspecção e a consciência social
  • II Guerra Mundial
  • Estado Novo: ditadura salazarista (Portugal), e getulista (Brasil)
  • Existencialismo e Marxismo
  • Surrealismo e Realismo Socialismo
  • Características gerais:
    - Neo-Simbolismo: exploração do inconsciente
    - Neo-Realismo: engajamento político-social
  • Obras portuguesas significativas:
    - Poemas de Deus e do Diabo (1925) e Jogo da Cobra-Cega (1934), José Régio
    - Bichos (1940), Miguel Torga
    - O Barão (s.d.), Branquinho da Fonseca
    - O Selva (1930), Ferreira de Castro
    - O Homem Disfarçado (1957), Fernando Namora
  • Obras brasileiras fundamentais:
    - Nova Reunião (poesia quase completa, contendo 19 livros, 1930 - 1983), Carlos Drummond de Andrade
    - Invenção de Orfeu (1952), Jorge de Lima
    - História do Brasil (1932), A Poesia em Pânico (1938) e O Visionário (1941), Murilo Mendes
    - Viagem (1939), Vaga Música (1942), Mar Absoluto (1945) e Romanceiro da Inconfidência (1953), Cecília Meireles
    - Novos Poemas (1938), Cinco Elegias (1943) e Poemas, Sonetos e Baladas (1946), Vinícius de Moraes
    - Menino de Engenho (1932) e Fogo Morto (1943), José Lins do Rego
    - S. Bernardo (1934), Angústia (1936), Vidas Secas (1938) e Memórias de Cárcere (1953), Graciliano Ramos
    - Jubiabá (1935), Terras do Sem-Fim (1942) e Velhos Marinheiros (1961), Jorge Amado
    - O Amanuense Belmiro (1937), Cyro dos Anjos


3º Modernismo
Pós-Modernismo: dispersão de correntes artísticas
  • Guerra Fria
  • Portugal: ditadura salazarista
  • Brasil: populismo e ditadura militar
  • Construtivismo
  • Poesia Concreta
  • Regionalismo Universalista
  • Prosa epifânica
  • Realismo Mágico
  • Obras portuguesas importantes:
    - Aparição (1959), Vergílio Ferreira
    - A Sibila (1953), Agustina Bessa-Luís
    - O Delfim (1960), José Cardoso Pires
    - Memorial do Convento (1982), História do Cerco de Lisboa (1989), José Saramago
  • Obras brasileiras escolhidas:
    - Obra Completa (reunindo 20 livros de poesia, 1942 - 1994), João Cabral de Melo Neto
    - Toda Poesia (1950 - 1980), Ferreira Gullar
    - Poesia Pois É Poesia (1950 - 1975), Décio Pignatari
    - Xadrez de Estrelas (percurso textual, 1949 - 1974), Haroldo de Campos
    - Poesia (1949 - 1979), Augusto de Campos
    - Novolume (1963 - 1997), Rubens Rodrigues Torres Filho
    - Sagarana (1946), Corpo de Baile (1956. Obra depois dividida em três volumes: Manuelzão e Miguilim; No Urubuquaquá, no Pinhém; Noites do Sertão), Grande Sertão: Veredas (1956), Primeira Estórias (1962) e Tutaméia (1967), João Guimarães Rosa
    - Vestido de Noiva (1943), Nelson Rodrigues
    - Perto do Coração Selvagem (1944), Laços de Família (1960), A Paixão Segundo G. H. (1964) e A Hora da Estrela (1977), Clarice Lispector.
           http://www.colegiodinamico.com.br/literatura.html








sábado, 9 de agosto de 2014

FIGURAS DE LINGUAGEM

Figuras de Linguagem

Figuras de linguagem são recursos de expressão, utilizados por um escritor, com o objetivo de ampliar o significado de um texto literário ou também para suprir a falta de termos adequados em uma frase. É um recurso que dá uma grande expressividade ao texto literário.
As mais comuns são: metáfora, comparação, metonímia, antítese, paradoxo, personificação (ou prosopopeia), hipérbole, eufemismo, ironia, elipse, zeugma, pleonasmo, polissíndeto, assíndeto, onomatopeia, anáfora, sinestesia, gradação e aliteração.

Metáfora

A metáfora é um tipo de comparação, mas sem os termos comparativos (tal comocomosão comotanto quanto, etc). Na metáfora, a comparação entre dois elementos está implícita, trazendo uma relação de semelhança entre eles. Exemplo:
Tempo é dinheiro.
Percebemos neste exemplo a relação implícita, onde o tempo é tão valoroso quanto o dinheiro, por isso ele é colocado como semelhante à moeda.

Comparação

A comparação consiste na aproximação entre dois objetos por meio de uma característica semelhante entre eles, dando a um as características do outro. Difere da metáfora porque possui, obrigatoriamente, termos comparativos. Em suma, é uma comparação explícita. Exemplo:
Tempo é como dinheiro.
Neste exemplo vemos o principal definidor de uma comparação: a palavra como traz explicitamente a ideia de que o tempo é valoroso como o dinheiro.

Metonímia

É a substituição de uma palavra por outra sendo que, entre ambas, há uma proximidade de sentidos, uma relação de implicação. Exemplos:
  • Não leu Machado de Assis.
  • Não leu a obra de Machado de Assis.
Vemos no exemplo que a obra de Machado de Assis foi substituída só pelo nome do autor. A metonímia consiste nessa substituição de palavras, dando o mesmo sentido a uma frase. A seguir, outro exemplo que reforça essa substituição:
  • cozinha italiana é maravilhosa!
  • comida italiana é ótima.

Antítese

A antítese consiste no uso de palavras, expressões ou ideias que se opõem. Exemplo:
Soneto da Separação
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto
Vinícius de Moraes
Neste soneto vemos claramente a antítese por trás da temática da separação amorosa: o que antes era riso trouxe lágrimas com a separação; as bocas unidas pelo beijo no amor se separam como a espuma que se espalha e se dissolve. A oposição de sentimentos e atos forma claramente a antítese.

Paradoxo

Paradoxo é a presença de elementos que se anulam numa frase, trazendo à tona uma situação que foge da lógica. Exemplo:
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
Luís de Camões
A situação do paradoxo aqui é clara: os elementos marcados se anulam, trazendo uma série de questionamentos. Como pode uma ferida, algo que causa dor física, não ser sentida? Como o contentamento, que causa felicidade, pode ser descontente? Como a dor pode não doer? Vemos claramente a fuga da lógica.

Personificação (ou prosopopeia)

A personificação, também chamada prosopopeia, consiste na atribuição de características humanas, como sentimentos, linguagem humana e ações do homem, a coisas não-humanas. Exemplo:
Congresso Internacional do Medo
Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro.
Carlos Drummond de Andrade
Neste exemplo, o medo, uma sensação, é transformado em pai e companheiro, algo que só é atribuído a um ser humano.

Hipérbole

Esta figura de linguagem consiste no emprego de palavras que expressam uma ideia de exagero de forma intencional. Exemplo:
Ela chorou rios de lágrimas.
Chorar rios remete a um choro contínuo, exagerado e o termo rios vem para enfatizar a ideia de que foi um choro intenso.

Eufemismo

O eufemismo ocorre quando utilizamos palavras ou expressões que atenuam e substituem outras que produzem um efeito desagradável e chocante. Exemplos:
  • Faltei com a verdade ao dizer que fui à igreja.
  • Menti ao dizer que fui à igreja.
A expressão e o impacto negativo que a palavra menti traz é ""suavizado" ao dizer que "faltei com a verdade".

Ironia

É a expressão de ideias com significado oposto ao que se realmente pensa ou acredita. Exemplo:
Moça linda, bem tratada,
Três séculos de família,
Burra como uma porta:
Um amor!
Mário de Andrade
O trecho é o exemplo claro de ironia: a moça é descrita como, bonita e bem tratada, tradicional, conservadora (é de família) e burra. O destaque em "um amor", apoiando-se na descrição da moça, mostra que ela, ao contrário de ser esse "amor de pessoa", é, na verdade, alguém sem atrativos, sem graça.

Elipse

Temos elipse quando, em um texto, alguns elementos são omitidos sem ocasionar a perda de sentido, uma vez que as palavras omitidas ficam subentendidas através do contexto. Exemplos:
  • Ela está passando mal! Depressa, um médico!
  • Ela está passando mal! Depressa, chamem um médico!
Na primeira frase temos a elipse ao vermos que a palavra chamem está escondida. Não é necessário colocá-la e não há perda de sentido, porque mesmo sem ela entendemos que é necessário chamar um médico depressa porque ela está passando mal.

Zeugma

É parecido com a elipse, no entanto, só podemos identificar desta forma esta figura de linguagem quando há omissão de algo que já foi expresso no texto. Sabemos que o termo foi omitido porque já foi apresentado. Exemplo:
Canção do Exílio
Nosso céu tem mais estrelas
Nossas várzeas tem mais flores
Nossos bosques tem mais vida
Nossa vida mais amores
Gonçalves Dias
Neste trecho vemos a omissão da palavra tem no último trecho. Não foi necessário o emprego dessa palavra para entender que a vida tem mais amores, pois já houve repetição da palavra nos outros versos.

Pleonasmo

Repetição de uma ideia por meio de outras palavras. É utilizado como forma de ênfase e, além de ser figura de linguagem, é classificada como vício. A diferença entre a figura de linguagem e o vício de linguagem é simples: para ser figura de linguagem, o pleonasmo vem de forma intencional, para dar mais expressividade no texto, enquanto no vício vem como uma repetição não intencional e desnecessária. Exemplo:
Quando hoje acordei, ainda fazia escuro
(Embora a manhã já estivesse avançada).
Chovia.
Chovia uma triste chuva de resignação
Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite.
Manuel Bandeira
A repetição proposital de Manuel Bandeira ao dizer que "chovia uma chuva" intensifica a ideia de que estava chovendo.

Polissíndeto

Consiste na repetição de conjunções para garantir um texto mais expressivo. Exemplo:
O olhar para trás
E o olhar estaria ansioso esperando
E a cabeça ao sabor da mágoa balançada
E o coração fugindo e o coração voltando
E os minutos passando e os minutos passando...
Vinícius de Moraes
A conjunção e vem para caracterizar o polissíndeto, trazendo ações e sensações que ocorrem de forma contínua e rápida.

Assíndeto

O assíndeto ocorre quando há omissão das conjunções. Exemplo:
Morte no avião
Acordo para a morte.
Barbeio-me, visto-me, calço-me.
Carlos Drummond de Andrade
A conjunção geralmente é substituída por vírgula, como no exemplo.

Onomatopeia

Temos onomatopeia quando há o uso de palavras que reproduzem os sons de seres vivos e objetos. É mais comum em história em quadrinhos.

Anáfora

Consiste na repetição de palavras ou expressões com o objetivo de enfatizar uma ideia. Exemplo:
Elegia Desesperada
Tende piedade, Senhor, de todas as mulheres
Que ninguém mais merece tanto amor e amizade
Que ninguém mais deseja tanto poesia e sinceridade
Que ninguém mais precisa tanto de alegria e serenidade
Vinícius de Moraes

Sinestesia

A sinestesia traz textos que expressam as sensações humanas, com o cruzamento de palavras referentes aos cinco sentidos. Exemplo:
Recordação
Agora, o cheiro áspero das flores
leva-me os olhos por dentro de suas pétalas
Cecília Meireles
Aqui, vamos uma característica do olfato (cheiro) misturada com outra do tato (áspero).

Gradação

Nesta figura as ideias aparecem de forma crescente ou decrescente dentro de um texto. Exemplo:
Meia noite em ponto em Xangai
A mulher foi-se encolhendo, agarrada aos braços da poltrona. Cravou o olhar esgazeado no retângulo negro do céu. Encolheu-se mais ainda, cruzando os braços. Limpou as mãospegajosas no brocado da bata. Susteve a respiração.
Lygia Fagundes Telles
Aqui a gradação crescente vem trazendo uma ideia da sensação do medo que vai aumentando.

Aliteração

Consiste na repetição de consoantes em uma sequência de palavras, trazendo um texto com um efeito sonoro. Confira um exemplo no trecho da música Chove Chuva de Jorge Ben Jor:
Chove, chuva, chove sem parar
Neste caso, o ch repetido vem para dar a sonoridade da chuva, além de dar ritmo à música de Jorge Ben Jor.
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